Bernardinho mexe, o Maracanã explode e o Sesc salva um tie-break perdido

Sesc RJ Flamengo vira sobre o Praia no tie-break, empata a semifinal e leva a decisão da vaga para o jogo 3.

Segundo apurou o Jogo Hoje, a semifinal da Superliga Feminina ganhou um capítulo daqueles que só aparecem quando tática e emoção entram na mesma rotação. Na noite de sexta-feira (17/4), com 8.270 torcedores no Maracanãzinho, o Flamengo do Sesc RJ venceu o Dentil Praia Clube por 3 sets a 2, empatou a série melhor de três em 1 a 1 e empurrou a decisão para o jogo 3, na sexta-feira (24/4), às 21h, novamente no Rio.

A virada que mudou a semifinal

O enredo é cruel e perfeito ao mesmo tempo: o Sesc RJ Flamengo estava perdendo o tie-break por 14 a 10 e, a partir daí, o time encontrou o ajuste fino que faltou nos dois primeiros sets. Não foi sorte. Foi leitura de jogo, agressividade na bola-chave e uma sequência de virada de bola construída no detalhe, com o Maracanãzinho acelerando o ritmo a favor do lado rubro-negro.

O placar final fechou em 3 sets a 2, com parciais de 23-25, 22-25, 25-22, 25-20 e 16-14. E o ponto que resume tudo? No último set, o Sesc estava atrás por 14 a 10 e acabou virando para 16 a 14. De um lado, um Praia que tinha imposto saque pressão e tirado a bola do lugar. Do outro, um Bernardinho que não deixou o time “apagar” quando o fogo parecia acabado.

O roteiro dos dois primeiros sets e o domínio do Praia

Os dois primeiros sets seguiram um script claro: o Praia entrou com força no serviço e praticamente “tirou a linha de passe” da equipe carioca. Era saque bem direcionado, com leitura de recepção e timing para impedir a construção. Resultado? O Sesc sofria para ganhar side-out de qualidade e, quando conseguia, a bola não chegava com conforto no passe para atacar com liberdade.

A defesa mineira fez o trabalho sujo. Adenízia e Milka sinalizavam bem no bloqueio, e o Praia atacava com extremidade para forçar decisões rápidas. Quando Caffrey e Michelle encaixaram as leituras, o Maracanãzinho sentiu o impacto: o time visitante abriu vantagem suficiente para colocar 2 a 0 no placar e transformar a partida num teste de paciência.

As mudanças de Bernardinho que destravaram o Sesc

No terceiro set, Bernardinho mexeu com intenção. A entrada de Helena no lugar de Karina não foi só troca de nome; foi mudança de rota para dar mais agressividade e alterar o padrão de ataque. Depois, a levantadora Vivian entrou na metade da parcial, substituindo Giovana, e o Sesc ganhou outra cadência de jogo.

Traduzindo o que a quadra mostrou: quando o passe melhora e a distribuição fica mais limpa, a equipe volta a atacar com opção. O Sesc ainda jogava pouco com as centrais, mas a presença de Helena ampliou o leque ofensivo e fez o time passar a construir com mais consistência. A virada não começou no tie-break. Ela começou ali, quando o Sesc recuperou o controle de ritmo e voltou a forçar o Praia a errar no timing.

E aí os dois sets seguintes vieram com mais firmeza: 25-22 e 25-20. Não foi domínio absoluto, mas foi suficiente para empatar a disputa em sets e devolver o jogo para a parte mais instável do voleibol: o momento de poucas trocas, muita pressão e execução.

O tie-break: de 10-14 ao delírio no Maracanãzinho

No tie-break, o Praia voltou a ser perigoso. O saque seguiu firme e a marcação nas extremidades funcionou. O time abriu vantagem com eficiência, chegando a 10-7 depois de um ace e de um bloqueio de Michelle. Foi o tipo de sequência que obriga técnico a parar o jogo e, principalmente, obriga o time a respirar e reorganizar.

O ponto de virada, porém, foi o que aconteceu depois do “não dá”. O Praia estava indo para o match point, fechando em 14 a 10. Só que o Sesc ajustou a rotação tática, encurtou o tempo de decisão e voltou a acertar a cadeia completa: recepção, distribuição, ataque e bloqueio. Quando Tainara assumiu o saque, a energia mudou de lado. O Maracanãzinho ficou alto, e o time aproveitou a pressão como combustível.

Foram seis pontos seguidos: o Sesc fechou o set em 16-14. Dentro disso, dá para apontar o que mais pesa para o torcedor e para o analista: o time parou de “entregar” a bola para o ataque do Praia e começou a ganhar side-out com mais frequência, enquanto o bloqueio ajudava a encostar na linha do erro do adversário. No fim, o que parecia perdido virou rotina de execução sob pressão.

Quem brilhou: Caffrey, Simone Lee, Kirov e Tainara

Se a partida teve herói de estatística e herói de impacto, os dois apareceram.

  • Caffrey Payton: maior pontuadora do jogo, com 23 pontos, mantendo o Praia vivo nos momentos de dificuldade e participando das trocas decisivas.
  • Simone Lee: 21 pontos, sustentando o ataque do Sesc quando o passe ainda não estava perfeito no começo.
  • Kirov: 16 pontos, com 8 no bloqueio. Esse é o tipo de número que muda o plano do adversário; quando o bloqueio fecha, o ataque perde ângulo e o side-out fica mais caro.
  • Tainara: o saque no tie-break foi o gatilho da reação. Foi ela que “ligou” a sequência de pontos que derrubou a vantagem do Praia.

Na outra ponta, dá para reconhecer o conjunto: o Praia controlou bem o início com saque pressão e boa leitura de extremidade, mas não conseguiu sustentar a vantagem quando o jogo virou um xadrez de poucos erros.

O que a vitória altera na série e na corrida para a final

O resultado empata a semifinal em 1 a 1 e força o terceiro jogo, que vale vaga na final. Com isso, a disputa ganha mais peso emocional e tático. Não existe “quase” em série melhor de três quando o adversário sabe que você pode virar um placar que parecia enterrado.

Do outro lado da chave, o cenário reforça o equilíbrio da competição: Osasco venceu o primeiro confronto por 3 a 1 e o Gerdau Minas devolveu a derrota na noite de sexta, no Liberatti, adiando tudo para o terceiro jogo também. Ou seja: cada ajuste de rotação tática, cada correção de recepção e cada decisão sob saque pressão vai ter efeito multiplicado.

O jogo decisivo do Sesc RJ Flamengo x Praia acontece na sexta-feira, 24/4, às 21h, no Rio. A final está marcada para 3 de maio, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

Próximo jogo e cenário da outra semifinal

No jogo 3, a leitura é simples: quem vencer o duelo de recepção e transformar defesa em ataque com rapidez vai controlar o side-out e ditar o ritmo. O Praia já mostrou que pode encurtar a linha de passe com saque bem colocado; o Sesc mostrou que, quando mexe no timing e ajusta a sequência de execução, consegue reverter o que parecia irreversível.

Enquanto isso, o outro playoff segue com Osasco x Minas igualmente vivo, mantendo a chave em modo “decisão no detalhe”. Para quem gosta de voleibol tático, é o tipo de fase que dá gosto de assistir e dá trabalho para analisar.

O Veredito Jogo Hoje

O Sesc RJ Flamengo não só venceu um set: ele desarmou um plano inteiro do Praia. Bernardinho acertou no timing das trocas, recuperou a qualidade do side-out quando o passe começou a voltar e transformou o tie-break em laboratório de execução. Quando o time vira um tie-break que estava 14 a 10 abaixo, não é coincidência: é gestão de pressão, bloqueio fazendo o serviço pesar e uma rotação tática que finalmente encaixou. A série agora é outra, e o Maracanãzinho provou que também joga.

Perguntas Frequentes

Como foi a virada do Sesc RJ Flamengo sobre o Praia?

Depois de perder os dois primeiros sets e de estar perdendo o tie-break por 14 a 10, o Sesc reagiu com mudanças táticas e um saque decisivo de Tainara, em uma sequência de seis pontos que levou o set a 16 a 14 e o jogo a 3 a 2.

Quem foi o destaque da partida no Maracanãzinho?

Caffrey Payton foi a maior pontuadora, com 23 pontos. Além dela, Simone Lee fez 21, Kirov somou 16 com 8 no bloqueio, e Tainara foi crucial no tie-break ao iniciar a reação.

Quando será o jogo decisivo da semifinal?

O jogo 3 da semifinal será na sexta-feira, 24/4, às 21h, no Rio de Janeiro.

Compartilhe com os amigos

Leia Também