O adeus de Bianca Cugno em Osasco não tem cara de despedida fria. Tem gosto de torcida que sabe o que viveu e, ainda assim, aperta o coração quando a viagem começa. A oposta argentina, eleita a melhor da posição na Superliga feminina 2025/26, concedeu entrevista de despedida ao Osasco e deixou no ar aquela sensação que todo fã de vôlei sente quando um ciclo termina: gratidão, saudade e uma promessa silenciosa de que a história pode voltar a se encontrar.
Segundo apurou o Jogo Hoje, a temporada foi daquelas que entram para a memória coletiva. Os números brilham, mas o impacto foi maior do que qualquer estatística: Bianca chegou ao Brasil para somar e saiu como referência, com um legado pronto para atravessar temporadas, inclusive quando a bola deixa de rolar no ginásio de Osasco e vai buscar o vôlei europeu.
A despedida de Bianca Cugno em Osasco
Ela falou como quem veste a camisa mesmo nos dias sem jogo. “Desde o primeiro dia, me senti em casa em Osasco. O clube tem um grupo de pessoas incríveis, tanto as jogadoras quanto os treinadores, especialmente o Luizomar, que me deu essa confiança para enfrentar todos os desafios desta temporada. Adoraria voltar a jogar em Osasco. Nunca vou fechar as portas. Osasco me ensinou muito e meu carinho pelo clube é imenso. Já estou com saudades”, disse Bianca.
É aquela mistura rara de profissionalismo e afeto. Porque não é só sobre pontos e vitórias; é sobre rodada final emocional, é sobre entender que, em Osasco, o vôlei é família. E quando uma atleta agradece assim, a gente percebe: não foi apenas sucesso. Foi construção.
Os números que explicam a temporada histórica
Se o vôlei é linguagem do corpo, a planilha de Bianca Cugno foi poesia traduzida em ataque. Na Superliga feminina, ela fechou com 519 pontos, sendo a segunda maior pontuadora da competição. E não é pouca coisa para uma jogadora de 23 anos. Essa idade tem fome, tem fome de aprender e de dominar, e Bianca mostrou que dá para fazer os dois ao mesmo tempo.
O roteiro de Osasco também foi digno de filme. A temporada terminou com dois títulos, a Supercopa de vôlei e a Copa Brasil de vôlei, além de uma prata no Sul-Americano e o bronze no Campeonato Mundial de Clubes. Em outras palavras: não foi temporada “boa”. Foi temporada completa. Daquelas que você só vê quando a equipe encaixa e a oposta vira eixo.
- Eleita a melhor oposta da Superliga 2025/26
- 519 pontos, segunda maior pontuadora da competição
- Produção absurda para uma atleta de 23 anos
- Osasco com títulos: Supercopa e Copa Brasil
- Prata no Sul-Americano e bronze no Mundial de Clubes
O peso de Luizomar e da adaptação ao clube
Bianca sempre teve qualidade, mas o que fez a diferença foi o encaixe. E aqui entra o nome que os bastidores repetem com respeito: Luizomar. A confiança que o técnico deu não foi um discurso. Foi uma rota de jogo. Foi aprender a usar a pontuação ofensiva como arma e, ao mesmo tempo, sobreviver à evolução da marcação adversária.
Porque, quando a oposta vira referência, todo mundo passa a estudar. E a Superliga feminina não perdoa: começa no registro de saque e termina na leitura do bloqueio adversário. Nos playoffs, com o objetivo claro e o ginásio ferindo silêncio, a pressão sobe e a bola cobra resposta. Bianca respondeu.
Ela mesma explicou que o crescimento vem com o tempo de jogo e com a exposição aos melhores. E aí a gente entende: quando você encara as melhores do mundo, a comparação deixa de ser teoria. Vira teste. Vira rotina de alto nível.
O que a passagem pelo Brasil mudou na carreira
O Brasil não é só escola. É laboratório. Bianca veio como estrangeira, viveu a adaptação na prática e saiu com repertório de quem aprendeu a jogar em ambiente de pressão real. “O Brasil superou minhas expectativas em 100%. Vou embora tendo aprendido muitas coisas. Aprendi a aproveitar mais o vôlei de alto nível, a valorizar cada partida e as oportunidades que aparecem para mim. O Brasil tem um nível altíssimo de jogadoras e clubes, o que me faz querer voltar a jogar aqui”, disse.
Traduzindo no idioma de quem cobre: ela não voltou só melhor tecnicamente. Voltou mais madura no timing, mais afiada no psicológico da cobrança e mais consciente do que o jogo exige quando a torcida vira combustível. Do lado pessoal, ela encontrou acolhimento em Osasco. Do lado profissional, encontrou desafio do tamanho certo para virar salto de carreira.
E agora vem a Europa. O vôlei europeu costuma ter ritmo próprio, outra temperatura tática, outros tipos de defesa e outra forma de punir erro. Mas se tem uma coisa que fica dessa passagem, é que Bianca já sabe: ela consegue florescer sob pressão.
Por que a volta a Osasco segue possível
Existe um detalhe que muita gente tenta ignorar quando fala de futuro: a relação humana. Bianca não falou em matemática de contrato. Falou em vínculo. E quando ela diz que “nunca vai fechar as portas”, isso não é frase de efeito. É recado de quem quer reencontrar o ambiente que a fez acreditar.
Osasco, claro, também sabe disso. Quando uma oposta entrega temporada de Superliga feminina como essa, com rodada final atravessada por coragem, a cidade inteira passa a enxergar a atleta como parte do projeto. E projetos, no esporte, não nascem do nada; eles são preservados por memória coletiva.
Para o torcedor, fica o gosto de “até logo”. Para a carreira dela, fica a certeza de que o Brasil a moldou. Para Osasco, fica uma vantagem emocional e esportiva rara: um legado que não termina no embarque.
O Veredito Jogo Hoje
O caso Bianca Cugno é daqueles que a gente chama de “história com continuidade”. Ela não vai embora apenas levando troféus e medalhas; vai levando a identidade de Osasco no corpo, na leitura de jogo e na forma de encarar a pontuação ofensiva quando o bloqueio adversário fecha. E, na prática, quando uma atleta sai dizendo que quer voltar, é porque existe caminho e existe vontade. O ciclo encerra, sim. Mas o capítulo não foi arrancado da prateleira.
Perguntas Frequentes
Por que Bianca Cugno foi eleita a melhor oposta da Superliga?
Porque foi protagonista em alto nível ao longo da Superliga feminina 2025/26: terminou com 519 pontos, foi a segunda maior pontuadora da competição e mostrou evolução constante, especialmente nos playoffs, além de sustentar impacto em momentos decisivos.
Quais títulos Bianca Cugno conquistou com o Osasco na temporada?
Com o Osasco São Cristóvão Saúde, a temporada foi histórica: Supercopa de vôlei e Copa Brasil de vôlei. Além disso, a equipe ainda teve prata no Sul-Americano e bronze no Campeonato Mundial de Clubes.
Bianca Cugno pode voltar a jogar em Osasco no futuro?
Pode, e ela mesma deixou essa possibilidade no tom da conversa: demonstrou carinho pelo clube, citou o impacto do trabalho com Luizomar e disse que não fecha as portas para um retorno. Em esporte, vínculo conta tanto quanto calendário.