A frase de Camila Brait que sela o fim de uma era no Osasco

Camila Brait se despede das quadras após 18 anos no Osasco e revela o peso da decisão, da maternidade e da homenagem no Ibirapuera.

O vôlei brasileiro fecha uma conta importante neste domingo, 3 de agosto. No ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, Camila Brait tirou a joelheira pela última vez como atleta profissional e fez a partida virar memória viva. Eleita melhor líbero da Superliga 2025/26, ela ainda foi celebrada na cena final, com o barulho do Liberatti ecoando mesmo fora de casa.

Segundo apurou o Jogo Hoje, o esporte tem dessas viradas raras: quando o jogo termina, a gente entende que também terminou uma era. E, em Osasco, essa era tinha nome, número e uma calma de capitã que atravessa gerações.

A despedida de uma ídola no auge

Camila não se foi apagando luz. Ela saiu no brilho. Melhor líbero da superliga, reconhecida em quadra e, principalmente, em sentimento. Porque quando uma jogadora passa 18 anos no mesmo projeto, a palavra “fidelidade” deixa de ser clichê e vira estatística com emoção.

E aí a pergunta aparece, do tamanho do acontecimento: como é que alguém sustenta esse nível de alto rendimento por tanto tempo, sem virar refém do próprio peso? A resposta está na entrevista que ela mesmo costura, entre a mulher, a mãe e a atleta que nunca trocou o compromisso pelo atalho.

Os 18 anos de fidelidade ao Osasco

Osasco é minha casa, né?”. A frase não é só declaração; é mapa afetivo. Camila chegou com 19 anos, ainda era uma menina e encontrou no Osasco um lugar para crescer. E não foi qualquer aposta: foi o Luizomar, o treinador que acreditou quando até ela duvidava.

Ela formou família ali. A Alice nasceu e cresceu perto das rotinas de quem vive de vôlei. Depois veio o Romeo, treinando junto do sonho, do jeito que só a infância permite. E, claro, apareceram propostas de fora. Só que, quando ela descreve a torcida e o caminho até o Liberatti, a decisão ganha lógica emocional. No Brasil, ela repetiu que não vestiria outra camisa.

  • 18 anos defendendo o Osasco São Cristóvão Saúde.
  • Jogo com coração, não com pose: a liderança como ferramenta técnica.
  • Um estilo que atravessou mudanças de elenco sem perder a identidade.

O peso da maternidade e do alto rendimento

A maternidade no esporte não entra como capítulo paralelo. Ela muda a régua por dentro. Camila admite: antes, uma derrota parecia o fim do mundo. Depois da Alice e do Romeo, ela entendeu que o vôlei é trabalho e paixão, mas a vida real também é família, abraço e recomeço.

Esse detalhe faz diferença na volta. Ela diz que o apoio dos filhos deu força para retornar a jogar em alto nível após as gestações. E, se tem uma coisa que o alto rendimento cobra, é consistência. Quando a atleta encontra equilíbrio fora de quadra, a mente para de quebrar no meio do rali.

Tem também o simbolismo: ela não encerra a carreira como quem “aguenta mais um pouco”. Encerra como quem escolheu voltar a ser inteira.

Luizomar, o resgate e a confiança

O Luizomar aparece na fala dela como peça central do quebra-cabeça. Não é apenas treinador carismático. É aquele que resgata quando o corpo e a cabeça começam a negociar o abandono. Camila cita isso com franqueza no momento mais difícil da trajetória.

O corte da Olimpíada de 2016 foi o tom escuro. Ela achou que não voltaria a jogar. E aí veio o resgate: o Luizomar segurou a confiança quando ela mesma não conseguia segurar. Esse tipo de relação explica por que ela permaneceu. Porque, no Osasco, a técnica sempre teve corpo e alma.

Aliás, é nesse ponto que dá para entender por que ela foi tantas vezes líder: ser capitã exige calma, sim. Mas exige também coragem para dizer “a próxima bola é nossa” quando o mundo parece querer apertar.

O momento mais difícil e o mais feliz da carreira

Se a vida de uma líbero tem um termômetro, o termômetro dela tremeu em 2016. O corte da Olimpíada de 2016 foi o momento mais difícil, daquele jeito que a gente não esquece porque mexe com a identidade. E, como ela contou, foi o Luizomar quem a puxou de volta para o jogo.

Já o momento mais feliz… é plural, porque ela não colecionou apenas troféus. Ela colecionou sensações. O Mundial de Clubes foi especial demais. A medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio virou realização. E cada título com o Osasco, especialmente com o Liberatti lotado, tem um gosto particular.

Quantas vezes a torcida viu uma defesa virar ponto e um ponto virar respiração coletiva? Dá para contar pelos resultados, mas a verdade está no barulho, na organização e no jeito de transformar pressão em controle de jogo.

O que fica para o legado do clube

Quando a superliga chama, ela chama Camila de volta. Mas agora a convocação é outra: a do futuro que ela vai construir longe do placar. E o que fica no Osasco é um modelo de comportamento esportivo. Quem passa por ali aprende que a camisa pede responsabilidade, não espetáculo vazio.

Ela encerra no auge técnico, com reconhecimento de melhor líbero da Superliga 2025/26, e isso pesa como fechamento de ciclo. A homenageada na final no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, não foi só celebrada: foi reafirmada como referência do clube.

Mesmo com todo o debate do mercado, mesmo com a tentação do “projeto de fora”, Camila escolheu o caminho mais raro: construir dentro. E, sim, dá para estimar que esse tipo de história aparece pouco em materiais concorrentes, onde a cifra costuma falar mais alto do que a permanência. Aqui, foi o contrário.

O Veredito Jogo Hoje

Tem gente que faz carreira trocando de roupa, de patrocinador e de promessa. Camila Brait fez carreira trocando só o tempo: treinou, voltou, liderou e sustentou o nível no alto rendimento sem perder a humanidade. No Osasco, ela não virou apenas estatística de final de temporada; virou padrão de referência para a superliga inteira. O que encerra agora não é um corpo em quadra, é um jeito de jogar e de existir dentro do jogo. E, sinceramente? Esse tipo de encerramento raro merece mais do que palmas: merece silêncio de respeito.

Perguntas Frequentes

Por que Camila Brait decidiu se aposentar agora?

Porque, mesmo no topo técnico, o corpo começou a pedir descanso e a rotina do alto rendimento ficou pesada demais. Ela também quis priorizar a família e estar disponível para os filhos e para o marido.

Quantos anos Camila Brait defendeu o Osasco?

Foram 18 anos defendendo o Osasco São Cristóvão Saúde, desde a chegada com 19 anos até a despedida após a temporada em que foi reconhecida como melhor líbero da Superliga 2025/26.

Qual foi o maior momento da carreira de Camila Brait?

Ela cita como mais difíceis o corte da Olimpíada de 2016, mas como mais felizes aparecem vários marcos: o Mundial de Clubes, a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio e, principalmente, os títulos com o Osasco no Liberatti com a torcida em festa.

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