Sem Hisham, Campinas muda o jogo e carimba vaga na semifinal

Lesão de Hisham muda a partida, Campinas domina os sets finais e vence Monte Carmelo por 3 a 1 na Superliga.

Segundo apurou o Jogo Hoje, o jogo desta quinta-feira (9) começou num ritmo de tensão e terminou com aquele tipo de noite que muda leitura tática da água pro vinho: o Vôlei Renata/Campinas virou o Monte Carmelo depois da lesão grave de Hisham Ewais e carimbou vaga na semifinal da Superliga Masculina 2025/26.

A lesão que virou o jogo

O primeiro sinal de que a partida ia ser daquelas, cheias de microdecisões, veio quando o Campinas perdia por vantagem mínima e o Monte Carmelo tinha a bola decisiva no momento certo. Aí, no ataque seguinte, o oposto egípcio Hisham Ewais se machuca de forma grave, sai de quadra e o plano do time mineiro fica órfão de peça-chave. Não é drama barato: é ajuste de rotação, é alteração de side-out e, principalmente, é quebra de identidade ofensiva. Quando o jogo perde um atacante que sustenta o ritmo, quem tem leitura rápida cresce no intervalo e quem estava no controle começa a pagar caro.

Daí em diante, o Campinas não ficou “correndo atrás do prejuízo”; ele reorganizou o que precisava para encurtar o caminho entre recepção e ataque. O resultado foi uma sequência que parece simples no placar, mas é pesada na dinâmica: o time campineiro arrancou e fechou em 3 a 1, com parciais de 22/25, 26/24, 25/16 e 25/18.

Como o Campinas reagiu em quadra

O que mais chama atenção, na minha visão tática, é que a virada não foi só emocional. Foi mecânica. O Campinas passou a transformar cada bola recuperada em transição ofensiva mais rápida, com ataque mais direto e menos “tempo morto” entre recepção e tomada de decisão. E isso conversa diretamente com a queda do volume do Monte Carmelo no fim do jogo.

Nos sets finais, a equipe campineira ganhou consistência no ataque e no bloqueio, segurando o que o adversário oferecia. O placar de fundamentos entrega o recado:

  • Ataque: Campinas 54 x 43 Monte Carmelo
  • Saque: Campinas 5 x 2 em pontos de saque
  • Bloqueio: empate em 8 x 8, mas com melhor pressão campineira quando o jogo apertou

Repara como isso encaixa no roteiro do vôlei de alto nível: mais eficiência no ataque, mais agressividade no ponto de saque e uma leitura melhor da receptação rival. Quando você força erro ou recepção ruim, o side-out vira arma. E, com o Monte Carmelo sem o mesmo encaixe ofensivo, ficou difícil sustentar a troca de bolas na rotação completa.

Os números da vitória campineira

Independente do drama da lesão, os números mostram quem mandou no placar quando a partida virou de verdade. O Campinas levou vantagem em eficiência no ataque e conseguiu sustentar a virada sem dar “presentes”.

  • Judson: 18 pontos e liderança em acertos na partida
  • Bruno Lima: 17 pontos pelo Campinas
  • Maurício Borges: 13 pontos
  • Adriano Xavier: 13 pontos
  • Daniel Pinto: 13 pontos para o Monte Carmelo
  • Hisham Ewais: 10 pontos antes de sair lesionado

Mesmo com o Monte Carmelo tendo força no ataque no agregado, o Campinas encaixou o golpe nos momentos de maior fragilidade. A vantagem campineira no jogo de fundamentos também aparece no total: enquanto o Monte Carmelo fez mais pontos de ataque (diferença de 11 no fundamento, com 54 x 43), o Campinas conseguiu elevar o nível no fim, com bloqueio pressionando e saque fazendo o adversário trabalhar mais. E, se você quer a cereja tática, é aqui: o Campinas conseguiu controlar o tempo do jogo depois do impacto da lesão, usando a mudança de dinâmica para consolidar a vitória.

O contexto confirma: foi o mesmo duelo que, no primeiro jogo da série melhor de três, terminou com Campinas 3 x 1 Monte Carmelo. Agora, com duas vitórias, a equipe fecha a série e mantém a temporada no modo “quase impossível de parar”.

O que a classificação muda na Superliga

Com o 3 a 1, o Campinas garante vaga na semifinal da Superliga Masculina e encurta o caminho da fase decisiva. O próximo adversário sai do confronto entre Praia Clube e Guarulhos BateuBet. E tem detalhe que muda leitura: o Praia Clube já venceu o primeiro jogo por 3 sets a 0 em Uberlândia, então o Campinas pode encarar um estilo mais consistente desde o início, com menos oscilação.

Além disso, o dado que pesa no bastidor é o ritmo do time: o Campinas chegou à 11ª vitória consecutiva na temporada, somando participações na Superliga, Copa Brasil e Sul-Americano. Quando você junta sequência vitoriosa com capacidade de ajuste tático, vira receita perigosa para qualquer chave.

O Veredito Jogo Hoje

O que o Campinas fez depois da lesão do Hisham foi, na prática, um curso acelerado de como dominar o jogo sem depender de sorte: reorganizou side-out, acelerou a transição ofensiva, apertou o ponto de saque e sustentou a eficiência no ataque quando o Monte Carmelo ainda tentava segurar a própria identidade. Em tese, o placar conta 3 a 1; na realidade, a história é outra: a equipe campineira aproveitou a mudança de dinâmica para jogar com controle, não com desespero. E isso, do meu ponto de vista, é o tipo de maturidade que costuma decidir semifinal.

Assinatura: Analista Tático, JogoHoje.esp.br

Perguntas Frequentes

Como foi a virada do Campinas sobre o Monte Carmelo?

O jogo virou de forma decisiva após a lesão grave de Hisham Ewais. Com a mudança de dinâmica, o Campinas passou a impor ritmo no ataque, melhorou a pressão no side-out e elevou a eficiência nos sets finais, fechando em 3 a 1.

Quem foi o maior pontuador da partida?

Judson foi o maior pontuador pelo Campinas, com 18 pontos.

Contra quem o Campinas pode jogar na semifinal?

O adversário sai do confronto entre Praia Clube e Guarulhos BateuBet.

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