Maracanãzinho lotado, 8.273 na arquibancada e, segundo apurou o Jogo Hoje, a semifinal virou laboratório de decisão. O Flamengo recebeu o Praia Clube e venceu por 3 sets a 2, parciais de 23-25, 22-25, 25-22, 25-20 e 16-14, empatando a série e empurrando o duelo para o jogo 3. E foi um daqueles jogos em que a leitura tática pesa tanto quanto o grito da torcida.
A noite da virada no Maracanãzinho
O roteiro parecia cruel. O Flamengo levou 0 a 2, viu o adversário administrar bem o ritmo e, no tie-break, ainda ficou atrás quando o Praia Clube chegou a ter quatro match points. Só que aí entra a parte que a gente não pode ignorar: quando a coisa aperta, é a rotação e o controle de fundos de quadra que dizem se o time vai se desmanchar ou se reorganizar.
No quinto set, o volume de jogo do Rubro-Negro cresceu ponto a ponto. Saque com mais intenção, bloqueio mais encaixado e uma distribuição de bola que não deixava o Praia respirar. O placar final, 16-14, não dá manchete sozinho; ele carimba o efeito das correções feitas no intervalo tático e na sequência do jogo.
O que Bernardinho mudou para o time reagir
Bernardinho não esperou a maré ficar boa. Ele mexeu para ajustar o que estava travando. A entrada da levantadora Vívian deu outra cadência ao passe e, principalmente, mais segurança para a equipe atacar onde o bloqueio do Praia estava menos confortável. E a ponteira Helena apareceu como peça de impacto no momento em que o Flamengo precisava de eficiência, não de esperança.
Na prática, foi um ajuste que mexeu com três engrenagens:
- Levantadora mais protagonista na distribuição, acelerando opções e encurtando o tempo de reação do bloqueio.
- Ponteira com leitura de espaço para explorar o fundo de quadra adversário, principalmente quando o Praia tentava controlar o meio.
- Fundos de quadra mais consistentes, com a equipe conseguindo transformar defesa em ataque e não em mera sobrevivência.
Some isso ao fato de o Flamengo ter sido capaz de se manter vivo no tie-break apesar dos quatro match points perdidos do outro lado. Quantas vezes você vê um time sair de 2 a 0 para empurrar um quinto set inteiro com intensidade? Foi trabalho de pormenor, não só emoção.
Os destaques individuais da reação rubro-negra
Se o time ajustou a engrenagem, as jogadoras colocaram gasolina. Masa Kirov anotou 16 pontos e foi a referência de intensidade, sustentando o ataque quando a rotação pedia firmeza e quando o jogo exigia resposta imediata. Já Simone Lee foi a maior pontuadora: 21 acertos, fazendo o Praia se preocupar com cada bola que chegava na ponta.
Mas é aí que mora o detalhe tático: mesmo com Lee apagando incêndios, o Flamengo ganhou no conjunto porque conseguiu manter a cadeia defensiva e, depois, retomar o controle do tempo de bola. Tainara e Helena fizeram 18 pontos cada, com Helena especialmente valiosa na virada do momento, quando o set começava a pender para um lado definitivo.
A líbero e capitã Laís também cresceu. Ela não pontua como ponta de ataque, mas comanda o fundo de quadra. E foi justamente ali que o Flamengo conseguiu aumentar o volume de jogo, transformando bolas que antes viravam pressão contra em oportunidades reais de contra-ataque.
Como o Praia Clube ficou perto da vaga
O Praia Clube chegou com vantagem na série e pagou caro por um detalhe: mesmo com vantagem no tie-break e quatro match points, faltou fechar sem dar margem. O time mineiro teve competência para controlar os dois primeiros sets, impondo dificuldade no ataque e mantendo o saque em nível alto para desorganizar a recepção rubro-negra.
Mas no momento em que o Flamengo encontrou o encaixe, o Praia passou a jogar em modo reativo. Quando você não consegue manter o ritmo de fundo de quadra e o adversário começa a achar a levantadora com mais tempo, o bloqueio perde qualidade e a defesa começa a atrasar. No tie-break, isso vira diferença em dois ou três pontos decisivos. E foram esses pontos que decidiram 16-14.
O peso da torcida e do recorde de público
8.273 pessoas no Maracanãzinho é mais do que número bonito. É pressão distribuída, é ritmo imposto e é o tipo de atmosfera que acelera o jogo. A temporada 2025/2026 carimbou recorde de público, e o Flamengo soube usar isso como vantagem psicológica sem cair no improviso. O time jogou como quem queria resolver em quadra, não como quem queria apenas “aguentar o tranco”.
E quando o tie-break apertou, a torcida virou combustível. Não é clichê: é leitura de ambiente. Quando o conjunto está organizado, o barulho vira referência para manter intensidade e não perder o foco nos microajustes da rotação.
Tudo o que muda para o jogo 3 da semifinal
Agora é sexta-feira, 24/04, às 21h, novamente no Maracanãzinho. O terceiro confronto da série promete ainda mais cara de decisão, com ingressos já à venda pelo Guichê Web e transmissão de SporTV2 e VBTV.
O que fica como ponto de atenção para o próximo jogo? Duas coisas:
- O Flamengo precisa repetir a mesma lógica de ajustes: manter o encaixe de recepção e garantir que a levantadora tenha rotas claras para o ataque com ponteiras em condição de explorar espaço.
- O Praia Clube, por sua vez, tem que transformar match point em resultado. Se o cenário voltar ao tie-break, não pode deixar o adversário respirar e crescer pelo lado tático.
Porque, dessa vez, não vai existir margem para “quase”. Vai ser no detalhe, no saque, nos fundos de quadra e na rotação do momento certo.
O Veredito Jogo Hoje
O jogo 2 não foi só uma noite de torcida e lágrimas: foi uma aula prática de como ajustes mudam destino. Bernardinho leu o jogo, mexeu nas peças certas e, principalmente, reorganizou o que importa em semifinal: tempo de bola, defesa com propósito e ataque com coerência. A concorrência pode vender drama; nós vemos o mecanismo funcionando. Agora, com o Maracanãzinho como termômetro e o tie-break como termômetro máximo, o Flamengo chega para o jogo 3 com a sensação mais perigosa do vôlei: a de que dá para controlar o caos.
Perguntas Frequentes
Quando será o jogo 3 entre Sesc RJ Flamengo e Dentil Praia Clube?
O jogo 3 está marcado para 24/04 (sexta-feira), às 21h, no Maracanãzinho.
Quem foi a melhor jogadora da partida no Maracanãzinho?
Simone Lee foi a maior pontuadora, com 21 acertos.
Quantos match points o Praia Clube teve antes da virada?
O Praia Clube teve quatro match points no tie-break antes do Flamengo virar e vencer o quinto set.