Abel mexe, Sosa decide e Palmeiras sai de Cartagena com um ponto que diz muito

Palmeiras reage no segundo tempo, empata com o Junior Barranquilla e deixa Cartagena com um ponto após mudanças de Abel.

O Palmeiras voltou para São Paulo com um ponto que, taticamente, vale mais do que parece no placar. Foi 1 a 1 com o Junior Barranquilla, em Cartagena, pela estreia na Libertadores 2026. E, segundo apurou o Jogo Hoje, a leitura do jogo não passa só pelo resultado: passa pelas engrenagens que Abel Ferreira destravou no intervalo.

Começou do pior jeito. Um pênalti cedo, cobrança fria e um Palmeiras com cara de quem ainda estava “sentindo” o ritmo. Mas aí, quando a partida pediu ajuste, Abel mexeu. Sosa entrou para mudar o roteiro e o time, enfim, achou espaço para respirar. O problema? A vitória escapou perto do fim, num jogo em que o gramado pesado e a transição rápida do adversário atrapalharam mais do que a gente gostaria.

A estreia que começou com susto

Aos 10 minutos do primeiro tempo, o Junior abriu o placar com Téo Gutiérrez: pênalti convertido sem dó. E não foi só o gol. Foi o impacto. O Palmeiras, que queria estabelecer controle e ditar o tempo, passou a jogar mais preso, com o bloco médio mais reativo, e isso costuma custar caro quando o adversário tem gente forte no duelo e velocidade para lançar.

Depois do susto, o jogo até ficou mais equilibrado a partir dos 10 minutos, mas equilíbrio de Libertadores não é sinônimo de conforto. Era equilíbrio de disputa, de disputa de bola, de disputa de segunda bola. O Junior queria força; o Palmeiras queria precisão. Só que no gramado pesado recém-trocado, a bola não “andava” do jeito que o Verdão desenha. A troca de passes falhava em detalhes, e detalhe, no alto nível, vira gol contra ou contra-ataque perigoso.

O pênalti cedo e o jogo travado pelo gramado

O Estádio Jaime Morón León virou um palco de atrito. A grama mais fofa dificultou o domínio e deixou a linha de passe mais “curta”, forçando decisões rápidas. E aí o jogo travou: poucas oportunidades claras, muita contenção e aquele cenário em que a pressão pós-perda precisa ser cirúrgica para recuperar no tempo certo.

Mesmo assim, o Palmeiras tentou construir. Aos 34 minutos, Marlon Freitas deixou Flaco López livre na área, mas o lance foi anulado por impedimento. Aos 39, Arias puxou a jogada e encontrou Marlon, que arriscou de fora para boa defesa de Silveira. Ou seja: a intenção existiu. Só que faltou o “encaixe” para transformar intenção em vantagem.

Do outro lado, o Junior tentava impor o ritmo na base da força física e da leitura das transições. Quando o Palmeiras errava a saída, o adversário avançava com velocidade, explorando espaço entre setores, principalmente com a ocupação de corredor e a busca por transição rápida. O Palmeiras até segurou, mas segurou no modo sobrevivência.

As mudanças de Abel que mudaram a dinâmica

No intervalo, Abel Ferreira não deu aula de paciência. Deu aula de correção. Ele colocou Sosa e Khellven para alterar a dinâmica do Palmeiras: mais agressividade na volta, mais ameaça no campo ofensivo e um reposicionamento que forçou o Junior a recuar com mais atenção.

O detalhe tático que muda tudo foi a forma como o time passou a tratar o segundo tempo. Com o elenco mais ativo, o Palmeiras conseguiu ajustar o que estava travando no primeiro ato: a velocidade para chegar na última linha e a tomada de decisão no terço final. Isso se conectou diretamente com a ideia de ajuste no intervalo.

E quando o plano muda, a partida muda junto. O Palmeiras passou a pressionar melhor após perder, com outra orientação para recuperar e atacar antes do adversário “armar”. A marcação ficou mais alinhada ao objetivo: manter o adversário preso na saída e impedir que o Junior explorasse com calma a transição.

Sosa muda o roteiro e empata a partida

Logo aos 10 minutos do segundo tempo, veio o lance que desenha a noite. Após lançamento para o ataque, Flaco López desviou de cabeça e deixou Ramon Sosa cara a cara com Silveira. O paraguaio não pensou duas vezes: tirou do goleiro e colocou tudo igual, 1 a 1.

Repara como isso é leitura tática, não acaso. Sosa apareceu para atacar as costas, aproveitou o momento em que o Junior tinha mais gente exposta por causa da postura mais avançada do Palmeiras e, principalmente, transformou o primeiro tempo “travado” num segundo tempo de decisão. Era o Palmeiras encontrando a linha certa, com o timing certo, e isso é o que faz um time grande crescer no campeonato.

A partir do gol, o Palmeiras ganhou confiança e, com o bloco médio mais bem posicionado, conseguiu encaixar melhor a linha de passe em direção ao corredor. E aí o adversário passou a sofrer: em vez de controlar o jogo, começou a reagir ao ritmo do Verdão.

As chances da virada e a defesa de Carlos Miguel no fim

O problema é que o empate não chegou para “satisfazer”. Chegou para abrir a porta da virada. Aos 21 minutos, Khellven chutou forte de fora da área e a bola passou raspando a trave. Nove minutos depois, Sosa recebeu em velocidade e ficou novamente na cara do goleiro após lançamento de Gustavo Gómez, mas foi travado no domínio. Quando o Palmeiras chega assim, não dá para fingir que são só oportunidades: são avisos.

Nos minutos finais, o jogo ficou francaço. Aos 38 e 40, o Verdão teve chances claras. No primeiro, Khellven cruzou e Murilo faria o segundo, se não fosse o corte no momento crucial. Depois, Felipe Anderson recebeu, driblou, ajeitou o corpo e finalizou colocado, quase tirando do goleiro. A bola quase entrou no ângulo.

Mas o Junior também tinha plano para punir. Aos 41, Canchimbo apareceu nas costas de Giay e obrigou Carlos Miguel a fazer a melhor defesa da partida. Esse é o tipo de lance que lembra: quando o Palmeiras sobe e acelera a transição rápida, o adversário encontra brechas. E naquele gramado, com espaço e velocidade, cada brecha vira susto.

O que o empate representa para a Libertadores e para o clássico

Em Cartagena, o Palmeiras sai vivo. E, para quem encara Libertadores, “sair vivo” é quase um verbo de sobrevivência tática. O ponto mantém o time na briga, mas também carrega uma mensagem: o time precisa refinar o controle do ritmo quando o jogo começa com susto e quando o gramado pesado atrapalha a execução.

Agora, a sequência pesa. No Brasileirão, o próximo desafio é Corinthians x Palmeiras no domingo (12), às 19h, na Neo Química Arena. E depois, quarta lógica europeia: na quinta-feira (16), o Palmeiras recebe o Sporting Cristal no Allianz Parque. Abel Ferreira vai ter pouco tempo para “separar” o que é ajuste de estratégia e o que é ajuste de performance.

Se o Palmeiras repetir a postura do segundo tempo, com pressão pós-perda organizada e ocupação de corredor mais inteligente, a história muda rápido. Mas se o primeiro tempo voltar, com o bloco reativo demais e a linha de passe encurtada pelo erro, a Libertadores vai cobrar de forma cruel. O empate, então, é ponto. Mas também é alerta.

O Veredito Jogo Hoje

Cartagena não premiou a melhor versão do Palmeiras, mas também não castigou como podia. O que salva a noite é o fator decisão: Abel Ferreira leu o jogo, fez o ajuste no intervalo e o time, com Sosa e Khellven, encontrou o caminho do gol sem depender de milagre. Só que faltou capricho tático? Não. Faltou transformar domínio em finalização com mais limpeza e, principalmente, controlar a transição quando o time subiu. Resultado justo, reação válida, mas dá pra ver que a Libertadores 2026 vai ser cruel com quem não fecha a conta.

Perguntas Frequentes

Como foi o gol do Palmeiras contra o Junior Barranquilla?

Foi aos 11 minutos do segundo tempo. Flaco López desviou de cabeça um lançamento para a frente, deixando Ramon Sosa cara a cara com Silveira, e o paraguaio tirou do goleiro para empatar em 1 a 1.

Quais mudanças Abel Ferreira fez no intervalo?

Abel promoveu mudanças com Sosa e Khellven entrando no lugar de Maurício e Artur, respectivamente, alterando a postura do time e aumentando a agressividade na volta do intervalo.

Quando o Palmeiras volta a jogar pela Libertadores e pelo Brasileirão?

Pelo Brasileirão, o Palmeiras enfrenta o Corinthians no domingo (12), às 19h. Pela Libertadores, o próximo compromisso é na quinta-feira (16), contra o Sporting Cristal, no Allianz Parque.

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