Conor McGregor e Artem Lobov encerraram na Justiça uma briga que, no fim das contas, não era só sobre amizade quebrada. Era sobre dinheiro, participação societária e o que a Proper No. 12 conseguiu em valor ao virar um ativo premium. E, para quem olha pelo lado financeiro, esse tipo de litígio comercial tem peso de cinturão: enquanto não acaba, a empresa e o atleta ficam com sombra no balanço.
Segundo apurou o Jogo Hoje, a cobertura esportiva costuma focar no “quem lutou e quem ganhou”, mas aqui o placar é outro. O acordo extrajudicial tira um risco jurídico do caminho de McGregor justamente quando a torcida volta a bater forte pelo retorno aos octógonos, com menção ao UFC 329, em 11 de julho, em Las Vegas.
O acordo que encerra a disputa
O processo vinha se arrastando há anos. Lobov levou o caso à Justiça alegando que teria direito a 5% dos ganhos obtidos com a venda da empresa ligada à Proper No. 12. McGregor, por sua vez, sempre negou que existisse qualquer entendimento formal ou verbal garantindo esse tipo de participação. O ponto decisivo é que, após a audiência, o irlandês, por meio de um comunicado lido pelo advogado no tribunal, acabou fazendo algo que o mercado entende bem: reconhecimento de contribuição na fase inicial do projeto.
Em linguagem de bastidor, é como ajustar o contrato depois que a bola bateu na rede. O tribunal não virou palco de tese jurídica infinita, e sim um lugar em que as partes escolheram encerrar, sem revelar valores do acerto. Lobov, do lado dele, preferiu não detalhar os termos e disse estar satisfeito com a resolução. Ninguém entra numa negociação dessas sem saber que o custo de continuar pode ser maior do que o custo de fechar.
Quanto estava em jogo na venda da Proper No. 12
Vamos colocar números na mesa, do jeito que eu gosto. A Proper No. 12 foi negociada em 2021 por cerca de US$ 600 milhões. Se a alegação de Lobov fosse reconhecida, a discussão giraria em torno de participação nos lucros atrelada à operação e aos ganhos derivados do acordo de venda. A parte atribuída a McGregor na negociação, segundo o que foi ventilado no processo, seria de cerca de US$ 100 milhões.
O que isso sinaliza, na prática? Que a disputa não era “pequena causa”. Era sobre valorização da marca construída desde o lançamento em 2018, com a empresa ganhando força e, conforme Lobov alegou, excluindo-o da sociedade conforme o negócio cresceu. Quando uma marca vale isso tudo, qualquer cláusula sobre contribuição, royalties ou divisão de resultados vira munição. E munição, no tribunal, costuma custar caro.
Por que Lobov dizia ter direito à fatia milionária
Lobov sustentou que teria sido peça-chave na concepção do negócio, chegando a sugerir a criação da marca Proper No. 12. A narrativa dele é típica de disputa societária: “eu ajudei a estruturar a ideia e o projeto virou um ativo que depois se valorizou”. A partir daí, entra a tese de participação nos lucros e a cobrança por uma porcentagem ligada aos ganhos da venda.
Do lado financeiro, o que pesa é a correlação entre contribuição inicial e crescimento do valor. Uma marca não nasce valendo US$ 600 milhões do nada. Ela passa por etapas: posicionamento, distribuição, expansão e, principalmente, percepção de mercado. Se Lobov achou que a contribuição dele foi decisiva para a valorização da marca, ele tinha motivo para insistir. Mas também tinha um custo: manter o processo vivo por anos é como lutar lesionado. Você até aguenta, mas com o tempo a conta chega.
O que McGregor reconheceu no tribunal
McGregor negou a existência de acordo que garantisse a participação do antigo parceiro. Só que, no tribunal, a estratégia mudou de tom. O comunicado lido pelo advogado indica que o irlandês reconheceu publicamente a contribuição de Lobov no início do projeto e agradeceu pelo trabalho desenvolvido na fase inicial. Para um atleta que vive de performance e imagem, isso tem um efeito colateral: reduz ruído reputacional e, principalmente, baixa a temperatura do litígio comercial.
É aí que a leitura financeira encontra o calendário do UFC. A última luta de McGregor foi em julho de 2021, quando sofreu fratura na perna na derrota para Dustin Poirier. Desde então, cada pendência fora do octógono vira fator de atraso e de foco dividido. Quando você tira um processo do caminho, você não ganha só “paz”. Você ganha previsibilidade. E previsibilidade é o que patrocinador gosta, é o que equipe quer e é o que um retorno em alto nível exige.
O impacto do desfecho na imagem e no retorno ao UFC
O acordo extrajudicial encerra uma disputa que marcou o rompimento definitivo entre dois nomes que já andaram juntos nos tempos de ascensão. Mas, do ponto de vista do negócio, o que importa é o timing: tirar a pendência jurídica antes do próximo ciclo de lutas. A expectativa é de retorno aos octógonos na ‘Semana Internacional da Luta’, na edição 329 do UFC, em 11 de julho, em Las Vegas.
Sem a novela no tribunal, McGregor entra no radar com menos distrações e mais controle narrativo. E isso, convenhamos, é meia rodada de vantagem. Porque no MMA, quando o assunto é volta, todo mundo quer falar de preparo, estratégia e gás. Só que, fora da cena esportiva, qualquer sombra econômica pode virar ruído na cabeça do atleta e no discurso de quem negocia.
O Veredito Jogo Hoje
Enquanto muita gente trata isso como “mais uma briga encerrada”, nós enxergamos o óbvio: um acordo extrajudicial que tira risco jurídico e reduz incerteza patrimonial. McGregor não está só fechando um caso com Lobov; está garantindo que a próxima luta não comece com a mente ainda no tribunal. Para um atleta que precisa de ritmo e foco para voltar a competir, isso é gestão de carreira com sabor de finanças: limpa o passivo, protege a imagem e acelera o retorno aos octógonos. Quem entende de mercado sabe que, às vezes, vencer no papel é tão relevante quanto vencer no ringue.
Perguntas Frequentes
Por que Artem Lobov processou Conor McGregor?
Porque Lobov alegou ter direito a 5% dos ganhos ligados à venda da marca Proper No. 12, sustentando que teria sido peça-chave na concepção do negócio e que, com o crescimento do empreendimento, acabou excluído da sociedade.
Quanto valia a disputa envolvendo a Proper No. 12?
O caso gira em torno de uma negociação de 2021 estimada em cerca de US$ 600 milhões pela venda da Proper No. 12. No processo, foi mencionada a atribuição de cerca de US$ 100 milhões como parcela correspondente a McGregor, com a tese de Lobov baseada em participação nos lucros.
O acordo muda algo para o retorno de McGregor ao UFC?
Muda o nível de ruído. Ao encerrar o litígio comercial e reduzir incerteza jurídica, McGregor fica mais livre para focar no ciclo esportivo. A expectativa citada é de retorno ao UFC 329, em 11 de julho, em Las Vegas.