STJD barra Abel e o Palmeiras vê o clássico virar disputa fora de campo

Tribunal negou efeito suspensivo, Abel fica fora do dérbi e Palmeiras reage com nota dura contra STJD e CBF.

O STJD negou o pedido de efeito suspensivo do Palmeiras e, com isso, Abel Ferreira está impedido de comandar o time no dérbi contra o Corinthians, em Itaquera, neste domingo. Para quem acompanha a engrenagem do Tribunal, a decisão tem cara de “juízo preliminar” bem amarrado: não basta o peso emocional do clássico; precisa haver, juridicamente, dano que justifique interromper a execução da pena.

Segundo apurou o Jogo Hoje, a punição vem da sequência disciplinar que já rendeu expulsões contra Fluminense e São Paulo. Agora, o torneio ganha um tempero fora de campo: o Palmeiras queria Abel na beira do gramado, mas o STJD entendeu que não era o caso de “segurar” a suspensão automática.

O que o STJD decidiu e por que Abel fica fora do dérbi

O ponto central é simples e cruel: o pedido foi negado e Abel não vai dirigir o time no domingo. O STJD manteve a sanção disciplinar já aplicada, preservando o cumprimento imediato dos jogos restantes. Em termos práticos, o que decide o jogo não é só tática, é procedimento.

Como advogado esportivo, eu olho para a lógica do tribunal: a relevância esportiva da partida subsequente, por si só, não derruba automaticamente a pena. O clássico paulista até aumenta a pressão, mas o tribunal cobrou um requisito que costuma ser decisivo nas liminares: demonstração de dano irreparável ou de difícil reparação, com plausibilidade suficiente para sobrestar a execução.

A punição de oito jogos: como a suspensão foi construída

A suspensão total aplicada ao treinador foi de oito jogos. A conta foi construída com base nas expulsões: dois jogos pelo cartão vermelho contra o Fluminense e mais seis pelo episódio envolvendo o São Paulo. É aquele tipo de caso em que o histórico disciplinar não perdoa: o processo vai andando e a consequência vem junto, jogo após jogo.

Como a pena tem suspensão automática por cartão, Abel já cumpriu dois compromissos e ficam seis a cumprir. Ou seja: o dérbi contra o Corinthians é exatamente o tipo de partida que o Palmeiras queria “blindar” com o pedido de efeito suspensivo, mas o tribunal não cedeu.

A justificativa do tribunal para negar o efeito suspensivo

Na decisão do pedido, a auditora Mariana Barros Barreiras foi direta: o tribunal entendeu que o jogo de domingo não reúne a necessidade de interromper a execução de uma parcela da pena que segue eficaz por determinação legal. Em linguagem de tribunal, isso é a defesa do procedimento e da estabilidade da sanção.

O argumento, na prática, foi: não há elementos que afastem, em juízo preliminar, a alta reprovabilidade da conduta. E, sem isso, o efeito suspensivo não passa no filtro. Traduzindo do jurídico para o gramado: o STJD não tratou o dérbi como “dano” juridicamente suficiente para interromper a punição.

E mais: o Palmeiras não estava discutindo só a emoção do clássico. Estava tentando convencer o tribunal a usar uma exceção. E o tribunal, como costuma fazer quando a pena já está formalizada, preferiu não abrir esse precedente.

O Palmeiras, claro, não engoliu. Segundo a leitura do clube, a negativa do STJD coloca o campeonato sob uma névoa de imprevisibilidade, justamente quando a temporada pede clareza e equilíbrio.

A nota do Palmeiras e a crítica à CBF

Depois de saber que Abel não estaria no banco, o Palmeiras soltou uma nota oficial longa e irritada. O clube afirmou que a decisão do tribunal causou estranheza e que a postura da corte compromete a credibilidade das competições.

O Palmeiras também conectou o caso com um episódio envolvendo a Flamengo e o Fluminense. O jogo entre eles, marcado para sábado, foi adiado para domingo por conta de atraso no voo rubro-negro vindo de Cusco, no Peru. Na visão do clube, fica a sensação de isonomia em xeque: um adiamento logístico aconteceu por um motivo; o pedido do Palmeiras esbarrou em outro entendimento.

O texto vai nessa linha ao sustentar que, sem discutir o mérito do pleito, “é necessário questionar” por que apenas um clube teve a solicitação atendida, enquanto outras equipes teriam pedidos similares sistematicamente rejeitados pela entidade. Como jornalista e como quem enxerga o esporte como litígio em movimento, eu digo: o Palmeiras não queria só Abel no banco. Queria um sinal de coerência do sistema.

O que muda para Corinthians x Palmeiras em Itaquera

Esportivamente, o dérbi contra o Corinthians em Itaquera tem cheiro de decisão antecipada. O Palmeiras chega com 25 pontos, na liderança, com vantagem de 5 pontos para o vice-líder São Paulo. Sem Abel, a dúvida não é apenas quem vai estar do lado de fora: é como o time vai reagir ao comando em um jogo que é, ao mesmo tempo, tático e emocional.

Quem conhece a dinâmica de vestiário sabe: um clássico paulista pesa no corpo e na cabeça. Sem o técnico, a ponte entre plano e execução muda, e isso pode afetar leitura de jogo, substituições e até padrão de pressão. E, no Brasileirão, onde cada rodada pode virar um abalo, qualquer oscilação vira conversa de arbitragem, de disciplina e de bastidor.

Então, no domingo, não é só Corinthians x Palmeiras. É Corinthians x Palmeiras com um capítulo disciplinar ainda em aberto no Tribunal.

O julgamento do recurso e os próximos passos

O Palmeiras ainda tem uma via importante: o Tribunal Pleno julgará o recurso na quarta-feira. Até lá, a suspensão segue o fluxo normal, com Abel cumprindo os seis jogos restantes. Em termos processuais, isso significa que o clube pode até reverter a situação no recurso, mas não pode contar com a pausa imediata do castigo.

O que resta agora é monitorar duas frentes: a sustentação jurídica do recurso e a leitura do tribunal sobre a compatibilização entre sanção disciplinar e impacto esportivo. Porque, se o Pleno mantiver, o recado fica mais duro: clássico não interrompe pena; procedimento manda. Se reformar, aí sim o Palmeiras tenta transformar o episódio em vitória também institucional.

O Veredito Jogo Hoje

O STJD fez o que mais irrita torcedor e clube: aplicou o texto como ele é, sem transformar o clássico paulista em argumento jurídico automático. Do meu ponto de vista, o tribunal foi consistente ao exigir requisitos típicos de efeito suspensivo e preferiu não mexer na execução mesmo diante do tamanho do jogo. Só que, quando a briga do Brasileirão vira briga de calendário, isonomia deixa de ser palavra bonita e vira cobrança real. A quarta-feira vai dizer se o Palmeiras apenas perdeu o banco no domingo ou se vai conseguir, no Tribunal Pleno, virar o tabuleiro inteiro.

Perguntas Frequentes

Por que Abel Ferreira foi suspenso pelo STJD?

Porque Abel Ferreira foi punido com suspensão de 8 jogos após expulsões em jogos do Brasileirão, somando dois jogos pelo cartão vermelho contra o Fluminense e seis no clássico contra o São Paulo, dentro da sequência disciplinar analisada pela 2ª Comissão Disciplinar.

O que é efeito suspensivo no tribunal desportivo?

É um pedido para pausar temporariamente a execução de uma sanção disciplinar enquanto o recurso é analisado. No caso, o Palmeiras buscou esse efeito para manter Abel à beira do campo no dérbi, mas o STJD negou por entender que não houve demonstração suficiente, em juízo preliminar, de dano irreparável ou de difícil reparação.

Quando o recurso do Palmeiras será julgado?

O Tribunal Pleno marcou o julgamento do recurso para quarta-feira, quando a decisão pode ser mantida ou revista. Até lá, como regra da suspensão automática, Abel segue cumprindo a pena.

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