Samuel Xavier expõe o ponto que inflamou o Fla-Flu adiado

Lateral do Flu disse que os jogadores não foram ouvidos no adiamento do clássico e voltou a falar da derrota para o Flamengo.

Segundo apurou o Jogo Hoje, a novela do adiamento de clássico ganhou mais um capítulo depois do Maracanã: Samuel Xavier, lateral-direito do Fluminense, colocou o dedo na ferida jurídica e, principalmente, institucional. A derrota para o Flamengo não foi tratada como “efeito colateral” do calendário; foi tratada como responsabilidade em campo. Só que a fala dele acendeu o debate sobre consulta entre clubes e sobre quem, de fato, teve poder de voz na decisão.

O caso está em ebulição desde que o jogo, originalmente marcado para sábado e adiado para domingo, mudou por conta do atraso do Flamengo no retorno do Peru, onde atuou pela Libertadores. E, por mais que o gramado seja o tribunal da bola, a gestão do tempo também vira prova documental quando o assunto é legitimidade.

A fala de Samuel Xavier após a derrota no Maracanã

Depois do Fluminense 1 x 2 Flamengo, Samuel Xavier foi direto ao ponto na zona mista. Ele tentou separar duas coisas que costumam ser misturadas em crise: a decisão de calendário e o desempenho do time. E aí vem o golpe: a mudança pode até ser discutível, mas a atuação não dá salvo-conduto.

Na prática, o lateral afirmou que o elenco ficou fora do processo decisório e, mesmo assim, não jogou a culpa para fora. É uma postura que, como advogado esportivo, eu considero curiosa: ao mesmo tempo que ele cobra legitimidade, ele não vende narrativa de desculpa. Só que o torcedor quer saber: se os jogadores “não tiveram voz nenhuma”, como fica a gestão de elenco e o alinhamento entre diretoria e vestiário?

O que ele disse sobre o adiamento e a falta de voz dos jogadores

Samuel Xavier resumiu a percepção do elenco em uma frase que vira manchete por si só: “os jogadores não tiveram voz nenhuma”. Ele completou que a decisão foi tomada antes e que o grupo ficou sabendo apenas no dia seguinte. Traduzindo para linguagem de governança: não é sobre “pensar na folga”; é sobre consulta entre clubes, comunicação e legitimidade do procedimento.

O lateral ainda tentou endereçar a consequência esportiva concreta, mas sem fabricar desculpa. Ele lembrou que, sim, o Fluminense teria um dia a mais, o que poderia impactar preparação física e recuperação muscular. Só que, do ponto de vista dele, isso não passou pela autonomia do jogador, nem pela possibilidade de opinar sobre o que seria alterado na rotina. E aí a pergunta retórica se impõe: quando o elenco não participa, a decisão vira só “ordem” — ou existe um mínimo de engenharia de decisão?

Se há vantagem de calendário, ela precisa ser tratada com transparência. Caso contrário, vira combustível para contestação, principalmente num Fla-Flu em que qualquer detalhe de logística vira argumento emocional. E emoção, no futebol, vale menos do que fato — mas pesa demais no debate público.

A resposta de Zubeldía e a posição do Fluminense

Do outro lado, o técnico Luis Zubeldía tentou fechar a porta para a tese de influência do adiamento. Ele disse que a derrota não passou por esse tema, assumiu a responsabilidade pelo desempenho e apontou erros no primeiro tempo. Em termos de narrativa, foi uma resposta que busca blindagem: não dá para transformar calendário em álibi quando o treinador reconhece falhas.

Na entrevista coletiva, Zubeldía também citou a dinâmica institucional: o Flamengo consultou o Tricolor e houve concordância com a mudança de data. Ou seja, a consulta entre clubes existiu, mas a pergunta que sobra é outra: houve consulta ao nível adequado, com impacto real na operação do elenco? Porque o que Samuel Xavier denuncia não é a existência do diálogo entre clubes; é a ausência de voz do grupo.

Quando um técnico afirma que a mudança não influenciou em nada, ele está dizendo que o planejamento foi compatível com a decisão. Só que, do ponto de vista de gestão de elenco, planejamento não é só “treinar”. É calibrar carga, ajustar rotina e garantir que a preparação física e a recuperação muscular tenham previsibilidade. Se o elenco soube “no dia seguinte”, a previsibilidade foi plena?

Como o calendário do Flu aumenta a pressão do episódio

O Fluminense não está falando de um adiamento isolado. O calendário cobra velocidade e resposta. A equipe volta a campo na quarta-feira pela Libertadores, às 21h30, contra o Rivadavia, e tem novo compromisso no fim de semana, no domingo, às 16h, contra o Santos, na Vila Belmiro. Em outras palavras: o tema do adiamento vira, inevitavelmente, disputa sobre tempo útil.

É aqui que o episódio ganha contorno regulatório e institucional. Em campeonatos longos, a vantagem de calendário raramente é “só” um dia a mais. Ela afeta recuperação, disponibilidade e até a gestão de risco com atletas. Quando o clube não consegue comunicar o processo com clareza, o debate público vira briga de versão: a diretoria diz que consultou, o elenco diz que não foi ouvido, e o torcedor decide quem está mais perto da verdade pelo sentimento do pós-jogo.

Como advogado esportivo, eu diria: a bola pode ter vencido no Maracanã, mas a gestão do episódio ainda está em litígio narrativo. E litígio narrativo, em ambiente de alta exposição como clássico, vira pressão sobre vestiário e comissão técnica.

O que vem pela frente: Libertadores e Brasileirão

Se a polêmica ficou no ar, o futebol não espera. Pela Libertadores, o Fluminense terá que transformar o pós-derrota em treino com objetivo claro, porque quarta-feira é o tipo de jogo que não perdoa distração. E, no Brasileirão, a visita à Vila Belmiro contra o Santos exige consistência, principalmente em gestão de energia e decisões de elenco.

Essa é a parte menos glamourosa e mais decisiva: a preparação física precisa conversar com o que aconteceu no Maracanã, e a recuperação muscular precisa ser tratada como prioridade real, não como “efeito de calendário”. Se a história do adiamento inflou o ambiente, agora cabe ao clube demonstrar controle: operar carga, escolher quem aguenta e quem precisa de preservação.

O Veredito Jogo Hoje

Samuel Xavier acertou em duas coisas ao mesmo tempo: cobrou legitimidade do processo e, ainda assim, recusou o papel de bode expiatório. Mas, convenhamos: se o elenco “não teve voz nenhuma”, então a diretoria precisa explicar com mais rigor como a consulta entre clubes foi conduzida e por que a comunicação não chegou com antecedência suficiente para proteger a preparação física e a recuperação muscular. No fim das contas, derrota se resolve em campo; a credibilidade do clube, porém, se resolve no bastidor — e esse bastidor, do jeito que ficou, virou munição para todo mundo.

Perguntas Frequentes

Por que o Fla-Flu foi adiado?

O clássico foi transferido do sábado para o domingo por causa do atraso do Flamengo no retorno do Peru, onde o time atuou pela Libertadores, e a mudança foi feita após consulta entre clubes, com concordância do Fluminense.

Os jogadores do Fluminense participaram da decisão?

Segundo Samuel Xavier, não. Na zona mista, ele afirmou que os atletas “não tiveram voz nenhuma”, dizendo que a equipe ficou sabendo da alteração apenas no dia seguinte.

Qual é o próximo jogo do Fluminense após o clássico?

O Fluminense volta a campo na quarta-feira, às 21h30, pela Libertadores, contra o Rivadavia, no Maracanã. Depois, pelo Brasileirão, enfrenta o Santos no domingo, às 16h, na Vila Belmiro.

📺

Onde Assistir Futebol Ao Vivo?

Consulte a grade completa de canais (Premiere, Globo, CazéTV) e saiba onde passará o próximo jogo.

Ver Grade de Canais

Compartilhe com os amigos

Leia Também