Publicado em 07/04/2026 às 21h39, atualizado em 07/04/2026
O Fluminense saiu de Caracas com um empate sem gols que pesa mais do que parece. Diante do La Guaira, o time até teve controle territorial, mas não teve punho para transformar volume em gol. E quando o capitão Samuel Xavier vai a público e bate na própria atuação, o recado é claro: a noite foi ruim, tecnicamente pobre e longe do padrão que o elenco costuma vender.
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Na leitura do lateral, o problema não foi só falta de capricho no último passe. Houve dificuldade para subir a pressão, para encurtar o campo e para aproximar os setores. Em linguagem de vestiário: o time tocou a bola, mas não mordeu. Circulou, mas não feriu. E isso, em competição continental, cobra preço alto.
Samuel Xavier admite atuação abaixo do Fluminense
Samuel não dourou a pílula. Falou de um primeiro tempo abaixo, de pouca criação e de um time que não conseguiu executar aquilo que costuma fazer quando está encaixado. A autocrítica tem peso porque parte de quem estava em campo e sentiu o jogo por dentro, não de quem observa da arquibancada.
O capitão resumiu a frustração ao dizer que o Fluminense não fez uma partida boa e que a equipe se atrapalhou na construção da pressão. É o tipo de diagnóstico que aponta menos para azar e mais para funcionamento coletivo. Quando a pressão sobe descoordenada, o adversário respira. Quando a posse fica lenta, o bloco rival se recompõe. Foi exatamente isso que se viu.
O que o capitão disse sobre o jogo e a arbitragem
Além da crítica técnica, Samuel Xavier também mirou a arbitragem. Segundo ele, o árbitro não cooperou com a condução da partida e deu apenas cinco minutos de acréscimos, mesmo com muitas paralisações e jogadores do La Guaira caindo com frequência. O incômodo é compreensível, embora não apague a principal questão: o Fluminense precisava produzir mais para vencer.
Essa combinação de reclamação com autocrítica é reveladora. O time carioca sentiu que estava melhor em determinados momentos, mas também reconheceu que não foi agressivo o bastante para converter superioridade em resultado. Em torneio curto, isso vira um problema de eficiência, não apenas de narrativa.
Posse alta, pouca contundência: por que o 0 a 0 preocupa
Os números ajudam a explicar a sensação de desperdício. O Fluminense terminou com 63% de posse de bola, 18 finalizações e sete chutes no gol. O La Guaira respondeu com apenas cinco arremates. Em tese, era roteiro para vitória visitante. Na prática, o time de Luis Zubeldía esbarrou na falta de precisão no terço final e na dificuldade para acelerar quando a defesa venezuelana fechou os espaços.
É aí que mora a preocupação. Posse sem profundidade vira adorno estatístico. Volume sem contundência vira frustração. E quando isso acontece contra um adversário teoricamente inferior, a cobrança sobe de nível. O Fluminense não perdeu, mas também não convenceu. E em Libertadores, empates assim costumam cobrar a conta lá na frente.
Fábio, aos 45 anos, ainda empilha marcas e segue como referência de longevidade na competição, mas a presença do goleiro não resolve um ataque que precisa ser mais letal. A equipe teve controle, porém faltou veneno. Faltou transformar território em chance clara. Faltou, sobretudo, uma execução mais limpa na zona de decisão.
Os números de La Guaira x Fluminense na estreia da Libertadores
O confronto em Caracas deixou um retrato bastante nítido do que aconteceu em campo:
- Posse de bola: Fluminense 63% x 37% La Guaira
- Finalizações: Fluminense 18 x 5 La Guaira
- Chutes no gol do Fluminense: 7
- Acréscimos reclamados por Samuel Xavier: 5 minutos
- Jogo: La Guaira 0 x 0 Fluminense
- Competição: 1ª rodada da fase de grupos da CONMEBOL Libertadores 2026
- Local: Caracas, Venezuela
Os dados confirmam uma superioridade que não se traduziu no placar. E, no futebol, esse é o tipo de retrato que incomoda mais do que derrota em si, porque expõe uma engrenagem emperrada. Ter a bola é uma coisa. Saber o que fazer com ela, outra bem diferente.
Como o empate pressiona o time antes do clássico com o Flamengo
O calendário não dá trégua. No sábado, o Fluminense encara o Flamengo pela 11ª rodada do Brasileirão, num clássico que pede resposta imediata. E clássico não aceita discurso morno. Ou o time entra ligado, com intensidade e coragem para jogar no limite, ou a cobrança vem dobrada.
Esse empate em Caracas aumenta o peso do próximo compromisso porque a equipe precisa provar que a atuação ruim foi um acidente de percurso, não um sintoma. A diferença entre reação e acomodação costuma aparecer justamente nesses jogos grandes. O torcedor quer ver sangue nos olhos, mecanismo ajustado e agressividade com a bola.
O que esperar de Zubeldía após a partida travada
Luís Zubeldía sai da Venezuela com tarefa clara: destravar o time sem perder organização. O treinador precisa encontrar mais mobilidade entre linhas, melhor apoio pelos lados e, principalmente, mais presença na área. Não basta dominar a intermediária; é preciso ocupar o espaço que machuca.
Também será interessante observar se o técnico mexe na altura da pressão e na velocidade das transições. Contra um rival fechado, o caminho passa por aumentar a circulação, mas também por criar desequilíbrio individual. Sem isso, o Fluminense corre o risco de repetir a mesma novela: posse bonita no papel, estéril no placar.
Perguntas Frequentes
O que Samuel Xavier falou após La Guaira x Fluminense?
O capitão afirmou que o Fluminense não fez um bom jogo, especialmente no primeiro tempo, e disse que faltou organização para criar mais e subir a pressão com eficiência. Ele também criticou a arbitragem pelos cinco minutos de acréscimos e pela forma como a partida foi conduzida.
Por que o empate do Fluminense foi tratado como mau resultado?
Porque o time teve 63% de posse de bola, finalizou 18 vezes e mesmo assim não venceu o La Guaira, que é considerado um adversário mais frágil no contexto do grupo. Quando a equipe domina os números e não converte isso em gol, a leitura esportiva é de desperdício.
Quando é o próximo jogo do Fluminense após a partida na Libertadores?
O próximo compromisso citado é contra o Flamengo, no sábado, pela 11ª rodada do Brasileirão. É um clássico que deve cobrar resposta imediata do elenco tricolor.