O Palmeiras não engoliu a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva e, com a frieza de quem sabe que o processo também é disputa, já encaminhou a estratégia para recorrer. Abel Ferreira recebeu seis jogos de suspensão depois de expulsões registradas em partidas do Brasileirão, e o clube sustenta que a resposta disciplinar foi além do que a proporcionalidade da pena permite no mundo real do futebol.
Segundo apurou o Jogo Hoje, a leitura do departamento jurídico alviverde é clara: se a súmula foi determinante para o quantum da punição, então o recurso precisa atacar exatamente onde dói, nos fundamentos e no enquadramento. E, sim, a bola agora passa pelo crivo do julgamento no Pleno e pela avaliação sobre se a linha aplicada deve ser mantida ou ajustada.
O que o Palmeiras contestou no STJD
O alvo do Palmeiras não é só o número de jogos. É o raciocínio que levou o STJD a construir uma penalidade que, na visão do clube, não conversa com os fatos tal como aconteceram em campo e com o tratamento dado a situações parecidas por outros atores do futebol. Traduzindo o jurídico para o gramado: quando a punição cresce, a defesa quer saber se cresceu por critérios consistentes ou por peso institucional.
Por isso, o recurso mira a revisão do entendimento e tenta abrir caminho para efeito suspensivo, quando juridicamente cabível, ou para reduzir a pena. No fundo, o Palmeiras quer uma resposta objetiva: a justiça desportiva está aplicando a mesma régua para todos ou a régua muda quando o personagem é um técnico?
Quais expulsões pesaram na punição de Abel
O placar disciplinar teve dois lances centrais, e o STJD encaixou tudo no mesmo pacote. A primeira expulsão aconteceu contra o Fluminense, logo após o apito final. Naquele episódio, o árbitro Felipe Fernandes de Lima registrou conduta considerada desrespeitosa por parte de Abel Ferreira, e a consequência foi direta: dois jogos de suspensão.
Já no jogo contra o São Paulo, a expulsão veio com Anderson Daronco. E aqui a súmula foi dura: o juiz anotou ofensa verbal e atitude antidesportiva, incluindo um chute em uma bola que estava no suporte da CBF durante a saída de campo. Esse segundo bloco de fatos virou outro degrau na soma dos seis jogos.
Some expulsões, some registros disciplinares, some histórico: o STJD também destacou que o histórico disciplinar do treinador pesa na dosimetria. Só que é exatamente aí que a defesa procura brecha: se o histórico é considerado, a pena precisa continuar sendo proporcional e coerente com casos anteriores.
Por que o clube fala em tratamento desigual
O Palmeiras bate na tecla do tratamento desigual com uma pergunta que incomoda: por que certas manifestações públicas e críticas à arbitragem parecem não ter o mesmo peso quando partem de clubes e dirigentes? Na visão interna, o tribunal não trata com a mesma intensidade situações que, em tese, também pressionam o ambiente de arbitragem.
E tem mais. O clube entende que Abel vem recebendo punições mais severas do que outros profissionais em episódios semelhantes. Não é só “chororô” de arquibancada; é uma tese de justiça desportiva e de consistência decisória. Se o discurso é uniformidade, por que o resultado não é?
Os exemplos usados pelo Palmeiras na comparação
Para sustentar a contestação, o Palmeiras puxou comparações recentes. Um dos exemplos mais citados é o caso de Alexander Barboza, do Botafogo. A defesa argumenta que, apesar de relatos de ofensa à arbitragem terem aparecido em campo, o jogador não foi denunciado pelo STJD e acabou cumprindo apenas suspensão automática.
Essa diferença de trilha processual, segundo o clube, acende o alerta de falta de uniformidade: quando a súmula aponta conduta semelhante, por que a consequência não segue o mesmo caminho?
O Palmeiras também cita manifestações públicas que, na visão do clube, fazem pressão institucional na arbitragem, como ocorreu com o Flamengo em redes sociais. O argumento jurídico é simples e direto: pressão existe, mas o impacto disciplinar parece variar conforme quem fala e de onde fala.
O que o recurso pode mudar na prática
Na prática, o recurso pode fazer o STJD reavaliar a pena e o enquadramento das condutas. Pode, inclusive, alterar a quantidade de jogos aplicados, se o tribunal entender que houve excesso no quantum ou se reconhecer alguma inconsistência na aplicação da proporcionalidade da pena.
O ponto sensível é o tempo: enquanto a suspensão estiver vigente, Abel Ferreira fica fora da comissão e o Palmeiras sente no banco. E é exatamente por isso que o clube tenta discutir caminho processual, inclusive a possibilidade de efeito suspensivo, caso o cenário jurídico permita.
E mais: a resposta do STJD ao recurso vai dizer muito sobre o rumo do tribunal em casos com histórico disciplinar e registros fortes de ofensa verbal e atitude antidesportiva. Vai manter a linha? Vai ajustar o peso? Vai sinalizar critérios mais claros? Perguntas que, convenhamos, todo mundo no futebol quer fazer, mas poucos colocam no papel com coragem.
O Veredito Jogo Hoje
Do ponto de vista de quem lê processo como quem lê jogo, a briga do Palmeiras é menos “quem gritou mais alto” e mais “qual régua está sendo usada”. Abel Ferreira tem duas expulsões com registros relevantes na súmula, ok, mas seis jogos no pacote inteiro pedem justificativa técnica impecável. Se o STJD ignorar a tese de consistência e seguir como se cada caso fosse um planeta isolado, a justiça desportiva segue perdendo credibilidade justamente onde ela deveria ser mais uniforme. E aí não é só Palmeiras que paga a conta no banco; é o Brasileirão inteiro que respira um clima pior a cada rodada.
Perguntas Frequentes
Por que Abel Ferreira foi suspenso pelo STJD?
Porque o STJD considerou, com base na súmula, as expulsões de Abel Ferreira contra Fluminense e São Paulo, somando as punições: a primeira com registro de comportamento desrespeitoso e a segunda com menções de ofensa verbal e atitude antidesportiva, incluindo chute em bola no suporte da CBF durante a saída de campo.
O Palmeiras pode conseguir efeito suspensivo no recurso?
O clube tenta, mas a concessão depende dos requisitos jurídicos do caso e do entendimento do tribunal sobre a urgência e o impacto da decisão. Na prática, a tese é para travar ou reduzir efeitos imediatos enquanto o mérito do recurso é analisado.
Quais jogos Abel pode perder se a punição for mantida?
Se a suspensão de seis jogos for mantida, Abel Ferreira pode perder uma sequência relevante do Brasileirão, afetando diretamente a comissão técnica em partidas consecutivas. O calendário exato depende do tempo de cumprimento e da programação do campeonato, mas o impacto é imediato para o planejamento de curto prazo.