De Zerbi estreia no Tottenham e expõe o plano que pode salvar o time

Na estreia de De Zerbi, o Tottenham perde para o Sunderland, entra no Z-3 e mostra sinais do plano do novo técnico para reagir.

Segundo apurou o Jogo Hoje, a estreia de Roberto de Zerbi no Tottenham não veio com festa. Veio com um balde de água fria: derrota por 1 a 0 para o Sunderland na 32ª rodada da Premier League, com o time terminando a rodada na zona de rebaixamento pela primeira vez desde 2008. Trágico? Sim. Urgente? Ainda mais.

E o pior detalhe tático é que a noite não pareceu “acidente”. O Tottenham até criou, mas entregou o jogo no formato que já vinha sofrendo: defesa vulnerável, transição defensiva desorganizada e um bloco baixo que até existe, mas não sustenta o tranco quando a pressão pós-perda aperta e a linha de quatro exige liderança.

A estreia que já mudou o tom da crise

O Tottenham chegou aos 30 pontos, na 18ª posição, mantendo a sequência sem vitórias em 2025 e ainda sem conseguir destravar a engrenagem ofensiva quando o relógio começa a cobrar. Pela primeira vez desde 2008, terminam uma rodada no Z-3, empurrados pelos resultados de Nottingham Forest e West Ham. É aí que a análise muda de “quem errou” para “qual plano está sendo construído”.

De Zerbi chegou com poucas semanas de trabalho, mas não escolheu o caminho confortável. Ele entrou no modo sobrevivência, sem maquiagem: ajustar o básico, mexer no que sangra e tentar ganhar tempo com decisões que alteram o comportamento do time em campo. O sinal mais claro veio logo cedo, antes mesmo do impacto do gol de Nordi Mukiele aos 17 minutos do primeiro tempo.

O que De Zerbi mexeu antes e durante o jogo

Não foi uma estreia de grandes reviravoltas na estrutura, mas foi de ajuste tático cirúrgico. O Tottenham até apresentou chances ainda no primeiro tempo, com Dominic Solanke parando em Robin Roefs nos acréscimos. Só que o jogo tinha um roteiro: o Sunderland controlava com segurança, e o Tottenham ficava refém de um vai e volta que expõe a transição defensiva quando a bola perde a direção.

O treinador também não esperou o “momento perfeito” para mexer. Pouco antes do lance que tirou Kinsky da jogada, De Zerbi já tinha chamado peças do banco. E aí veio o que define o estilo dele: resposta rápida, mesmo com placar contra, como se o plano não dependesse do roteiro do adversário.

  • Entrada imediata de Pape Matar Sarr, Mathys Tel e João Palhinha.
  • Depois, Christian Romero saiu para a entrada de Kevin Danso, após choque com o goleiro Kinsky, que precisou de atendimento na sequência.
  • Na reta final, Xavi Simmons entrou para tentar dar fôlego na pressão e no último terço.

O Sunderland ainda assim manteve o controle do ataque, impulsionado por uma defesa forte. O que fica é a leitura: De Zerbi não tentou transformar o Tottenham em um time “a qualquer custo” ofensivo. Ele tentou ajustar o que dá para ajustar agora, quando a prioridade é estancar vazamentos e impedir que a linha de quatro vire um convite para o contra-ataque.

Kinsky, a defesa e a aposta mais ousada

Se existe um gesto que resume o que De Zerbi quer fazer no Tottenham, é colocar Antonín Kinsky como goleiro titular. A escolha não nasceu do improviso; nasceu do histórico recente. Com exceção do empate do Tottenham com o Brentford em 1º de janeiro, o time foi vazado em 12 jogos desde então. Doze. Isso não é “fase”. É padrão tático.

Antes da partida, Kinsky não defendia desde que foi substituído por Igor Tudor no primeiro tempo do duelo com o Atlético de Madrid, pela Champions League. Naquela ocasião, falhou em dois gols e saiu ainda no primeiro tempo no lugar de Guglielmo Vicario. Agora, De Zerbi reverteu a narrativa com um recado direto: a proteção do gol é parte do plano de sobrevivência, não um detalhe.

Com Kinsky, o Tottenham segurou o placar inalterado na primeira etapa. Ele salvou finalização cara a cara nos acréscimos e, principalmente, deu ao time uma referência para atravessar o período mais perigoso. E aqui entra a nuance tática: quando você decide por um goleiro com capacidade de resposta em jogadas de curta distância, você ganha segundos. Segundos que, em transição defensiva caótica, viram diferença entre sofrer um segundo e respirar.

Claro, o Sunderland acabou encontrando o caminho com o desvio de Nordi Mukiele. Mas o ponto é outro: De Zerbi aceitou o risco da reconstrução do “miolo” emocional e técnico, apostando que o Tottenham precisa de segurança no último terço para conseguir jogar com bloco baixo quando tiver que jogar, e sair com pressão pós-perda quando o jogo permitir.

O que a derrota revela sobre o plano de sobrevivência

Derrotas em crise costumam apagar qualquer sinal positivo. Acontece que, nesta estreia, a derrota só acentuou uma coisa: o plano de De Zerbi passa por controle defensivo e por decisões que mudam o comportamento do time, não apenas o desenho em papel. O Tottenham não ficou mais ofensivo, mas mostrou que vai disputar o jogo mesmo quando não tem o placar a favor.

O dado do pênalti marcado sobre Randal Kolo Muani e anulado no VAR também diz muito. O time tentou chegar com intensidade, mas esbarra na execução e, sobretudo, na capacidade de reagir ao que acontece após perder a posse. É ali que o bloco baixo precisa ser inteligente, com pressão pós-perda organizada, e a linha de quatro precisa manter compactação sem virar refém de espaços nas costas.

Agora, com a sequência sem vitórias desde dezembro e a temporada já castigando desde 2025, o peso histórico da zona de rebaixamento não é apenas psicológico. É operacional. Treinador precisa de resposta rápida, e resposta rápida custa caro em treino, leitura e ajustes. De Zerbi vai ter de conviver com isso enquanto o relógio corre.

O peso histórico da zona de rebaixamento

Entrar na zona de rebaixamento pela primeira vez desde 2008 não é um detalhe estatístico. É uma sentença de cobrança. A partir daqui, cada rodada vira teste de consistência: o Tottenham precisa reduzir o número de momentos em que o adversário chega com superioridade, precisa transformar transição defensiva em transição defensiva “segura”, e precisa fazer o bloco baixo virar escudo, não vitrine para o contra-ataque.

De Zerbi já mostrava esse tipo de leitura em seus trabalhos: conviver com o contexto sem abandonar a estrutura. Só que agora o contexto é cruel. O time ainda vai enfrentar a pressão do calendário e a ansiedade de quem sabe que pode viver um desfecho histórico e traumático. Então, a pergunta que eu faço sem pedir licença é: qual Tottenham vamos ver nas próximas rodadas, o que improvisa ou o que executa ajuste tático com clareza?

O que vem agora contra o Brighton

O próximo jogo é contra o Brighton, em casa, pela 33ª rodada da Premier League. Em crise, “jogar em casa” não garante nada. Mas dá algo: permite que o Tottenham controle melhor o ritmo e tente impor o tipo de jogo que De Zerbi quer, especialmente na fase sem bola, onde a pressão pós-perda precisa ser calibrada e a linha de quatro tem de funcionar como bloco, não como soma de indivíduos.

Se Kinsky seguir defendendo bem e o time conseguir melhorar a primeira resposta após perder a bola, a chance de pontuar aumenta. E, no campeonato, pontuar é o começo de tudo. Sem isso, não existe plano que sobreviva por muito tempo.

O Veredito Jogo Hoje

A estreia de De Zerbi não trouxe a vitória, mas trouxe algo mais valioso para quem está no fundo: direção. A escolha por Kinsky como goleiro titular e as substituições agressivas no segundo tempo mostram que ele vai tratar a Premier League como um tabuleiro de decisões rápidas, onde cada ajuste tático precisa reduzir risco na transição defensiva e dar sustentação ao bloco baixo. Se o Tottenham continuar vazando, o histórico pesa; se começar a corrigir o comportamento, aí sim a zona de rebaixamento pode virar uma fase passageira. Agora, do jeito que está, tempo e paciência são recursos raros.

Perguntas Frequentes

Como foi a estreia de Roberto de Zerbi no Tottenham?

Roberto de Zerbi estreou com derrota por 1 a 0 para o Sunderland, na 32ª rodada da Premier League, mantendo o Tottenham na zona de rebaixamento e dando sinais claros de suas prioridades táticas, com destaque para Antonín Kinsky como goleiro titular e mudanças ainda no segundo tempo.

Por que o Tottenham entrou na zona de rebaixamento?

O Tottenham entrou na zona de rebaixamento pela primeira vez desde 2008 após a sequência de resultados ruins, sem vitórias em 2025, e com o time terminando a rodada com 30 pontos, na 18ª posição, influenciado também pelos placares de concorrentes diretos.

Qual é o próximo jogo do Tottenham na Premier League?

O Tottenham enfrenta o Brighton em casa, pela 33ª rodada da Premier League.

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