Conte admite chance na Itália e diz que seu nome deveria ser considerado

Antonio Conte deixou em aberto o retorno à seleção italiana e recebeu aval do Napoli, em meio à crise da FIGC.

Antonio Conte não escondeu o recado. Depois de Napoli 1 a 0 sobre Milan em 6 de maio, no Estádio Diego Armando Maradona, ele foi provocado sobre um tema que, convenhamos, sempre volta quando a Itália entra em modo “reforma forçada”. E o treinador foi direto ao ponto, assumindo que, se estivesse na mesa, consideraria o próprio nome para o comando da seleção.

Segundo apurou o Jogo Hoje, o que parece uma conversa de bastidor é, na prática, uma disputa por narrativa num momento em que a estrutura italiana treme. A Itália ficou fora da Copa do Mundo pela terceira edição seguida, a FIGC tenta recompor o tabuleiro e o nome de Conte reaparece com força porque ele já sabe o ambiente da Azzurra: comandou a equipe entre 2014 e 2016.

A fala de Conte após Napoli x Milan

Em coletiva, Conte escolheu a fórmula que funciona com federação: respeito ao ambiente e lembrança de experiência. Ele disse que, se fosse presidente da Federação, avaliaria o próprio nome “junto com outros”, citando o fato de já ter vivido o dia a dia do cargo e o valor de representar o país. Frio? Talvez. Mas calculado, também.

O detalhe que chama atenção é o contraste. Conte tem contrato com o Napoli até junho de 2027, está em meio a uma campanha forte e ainda assim fala como quem quer deixar a porta alinhada com o futuro. Isso não é apenas “opinião”, é sinalização política. Num futebol onde treinador é moeda e federação é balcão, quem não controla o timing, paga a conta depois.

Por que o nome dele voltou à pauta da seleção italiana

Conte voltou porque a Itália está em crise e porque a vaga ficou aberta. A saída de Gennaro Gattuso abriu espaço para uma nova transição no ciclo seguinte. E quando a bola passa da parte esportiva para a institucional, o perfil de Conte costuma ser lembrado: ele já conhece a pressão, sabe como lidar com a exigência tática e, principalmente, sabe falar com o “chefe” certo.

O contexto também ajuda a explicar o clima. A eliminação para a Bósnia-Herzegovina na repescagem europeia foi o estopim para as renúncias de Gabriele Gravina, presidente da FIGC, e de Gianluigi Buffon, ex-goleiro e chefe da delegação. Ou seja, não é só troca de técnico. É troca de direção, com gente saindo pelo caminho quando o sistema falha.

E não dá para ignorar o que vem junto: na Eurocopa sob Conte, a Itália chegou às quartas de final e caiu nos pênaltis para a Alemanha. Não foi um conto de fadas, mas foi um desempenho que, em termos de narrativa, sustenta o argumento de “capacidade de reorganizar”. Agora, a pergunta que fica no ar é óbvia: quem, na FIGC, quer um nome que traga ordem quando o resto está bagunçado?

Há ainda um recado indireto no retrospecto. O treinador classificou a seleção para a Eurocopa com quatro vitórias nas Eliminatórias, contra Noruega, Azerbaijão, Bulgária e Malta. Antes do torneio, ele ainda ajustou a equipe em seis amistosos com Bélgica, Romênia, Espanha, Alemanha, Escócia e Finlândia. São números que contam história quando a federação precisa de justificativa.

O aval de De Laurentiis e o peso do contrato até 2027

Se a FIGC procura alguém para sentar na cadeira, o Napoli define o ritmo do processo. Segundo o dirigente Aurelio De Laurentiis, Conte teria sinal verde para retornar à seleção caso o pedido apareça. Só que De Laurentiis foi cuidadoso: ele afirmou que Conte ainda não foi procurado oficialmente por um interlocutor sério dentro da federação, então, por enquanto, tudo não passa de rumor.

Isso é importante. Porque, do ponto de vista do poder, não existe “sim” sem canal oficial. E num contrato que vai até junho de 2027, a conversa sobre saída precisa passar por cláusulas, negociações e, claro, pelo que o clube considera justo em termos esportivos e institucionais.

O cenário competitivo também pesa. O Napoli aparece como vice-líder da Serie A com 65 pontos, sete atrás da Internazionale, com sete rodadas restantes. Em outras palavras: o clube não está em modo “liberar por caridade”. Está em modo “vamos decidir com cabeça e documento”.

A crise na FIGC e a saída de Gattuso, Gravina e Buffon

O problema italiano tem cara de repetição. Fora da Copa do Mundo pela terceira vez seguida, a Itália vê o próprio projeto esportivo virar alvo de pressão pública e de disputa interna. A saída de Gattuso é apenas o capítulo imediato, mas o pano de fundo é institucional.

Depois da eliminação para a Bósnia-Herzegovina na repescagem europeia, renunciaram Gabriele Gravina e Gianluigi Buffon. Quando figuras desse tamanho deixam o barco, é porque a federação não falhou só no campo. Falhou no modelo. E, quando o modelo quebra, a escolha do treinador vira ferramenta de reconstrução.

Por isso, a frase de Conte soa polêmica. Ele não falou como um técnico “qualquer”. Falou como quem entende que a seleção é mais do que tática: é cultura, é comando, é comunicação com o sistema político do futebol italiano.

O que acontece agora: assembleia em junho e próximos passos

O próximo passo é institucional e tem data: a Assembleia Extraordinária da FIGC está marcada para 22 de junho, em Roma. É nela que a federação decide os rumos e, principalmente, quem vai sentar na cadeira de presidente para conduzir a reorganização.

Enquanto isso, a Itália tenta manter o controle do processo e, ao mesmo tempo, não pode perder o timing do mercado. Porque treinador, quando demora, vira leilão. E numa crise como essa, o mais perigoso é trocar pressa por improviso.

Conte, por sua vez, já indicou o caminho: vai se reunir com De Laurentiis ao fim da temporada para conversar sobre seu futuro. É um gesto que reforça o vínculo com o Napoli, mas também sinaliza que a porta da Azzurra está alinhada para o momento certo.

Retrospecto de Conte na Azzurra

Conte comandou a seleção italiana entre 2014 e 2016, após a eliminação traumática na fase de grupos do Mundial do Brasil, quando a equipe não conseguiu avançar mesmo após vitória sobre a Inglaterra. Naquele torneio, as derrotas para Costa Rica e Uruguai deixaram marcas. A resposta veio com trabalho.

Na Eurocopa, ele levou a Itália até as quartas de final e viu a equipe cair nos pênaltis para a Alemanha. Depois, seguiu para o Chelsea, onde conquistou a Premier League logo na primeira temporada. É um retrospecto que alimenta o argumento de que Conte sabe transformar pressão em método.

E é exatamente isso que a FIGC precisa vender para si mesma: método. Porque, do jeito que está, a Itália não quer só um treinador. Quer um “organizador” que consiga estabilizar o ambiente e devolver previsibilidade ao projeto. Conte parece ser esse nome, mas o detalhe decisivo é: a federação terá alguém com autoridade suficiente para transformar rumor em proposta?

Perguntas Frequentes

Antonio Conte pode mesmo assumir a seleção italiana?

Pode, mas depende de uma aproximação oficial da FIGC e de uma negociação que respeite o contrato de Conte com o Napoli até junho de 2027. Por enquanto, o próprio De Laurentiis indicou que não houve contato formal “sério” com a federação.

O Napoli já autorizou a saída de Conte?

O Napoli sinalizou abertura: De Laurentiis disse que, se Conte fosse questionado por um interlocutor adequado, a resposta seria positiva. Ao mesmo tempo, reforçou que não existe pedido oficial até agora.

Quando a FIGC vai escolher o novo presidente?

A FIGC marcou a Assembleia Extraordinária para 22 de junho, em Roma. É nesse encontro que o processo institucional deve avançar e definir os próximos passos da reorganização.

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