Botafogo Way em teste: a escolha de Franclim que abriu um problema maior

Fellipe Bastos criticou a escalação e as mexidas de Franclim. Entenda por que o Botafogo ficou exposto no empate com o Caracas.

Jogo Hoje segue de olho nos bastidores do Botafogo, e o alerta veio cedo: na estreia de Franclim Carvalho no comando, o empate em 1 a 1 com o Caracas, pela Copa Sul-Americana, virou discussão tática. Fellipe Bastos, comentarista do “Troca de Passes” no SporTV, foi direto ao ponto em 10/04/26 às 17:36: ele criticou a escalação e as substituições, dizendo que tiraria Montoro e que o time ficou desorganizado para um jogo que já pedia controle e equilíbrio.

A crítica de Fellipe Bastos à escalação de Franclim

O que incomodou Fellipe Bastos não foi só resultado. Foi encaixe. O argumento é quase de laboratório: o Botafogo vinha de duas atuações recentes sustentadas pelo impacto de Arthur Cabral, um centroavante de referência que organiza o ataque, prende zagueiro e ancora o pivô para a equipe respirar e atacar com nexo. No primeiro jogo do Franclim, a leitura muda de cara, e ele aponta que a troca de características deixou o time com outro desenho, menos adequado ao tipo de adversário.

O Caracas, mesmo sendo “modesto”, não entrou para trocar pancada no meio. A tendência era baixar as linhas e viver de contra-ataque. E aí mora o problema: quando o plano adversário é bloco baixo e transição defensiva agressiva, você precisa de funções claras para ganhar a segunda bola, proteger o corredor central e, principalmente, impedir que a equipe fique vulnerável às costas da defesa. Fellipe Bastos cravou que, no primeiro tempo, o Botafogo não teria espaço como imagina quando joga mais adiantado.

E mais: ele também questiona a mexida que veio na volta do intervalo. Saiu o gol do Arthur, mas o comentarista garante que não faria da forma como foi feita. A leitura dele é que a substituição alterou a dinâmica sem resolver o que já estava falhando no equilíbrio.

Por que a ausência de um centroavante de referência pesou

Quando Arthur Cabral jogou, o Botafogo teve um norte. Não é romantização, é função: centroavante de referência segura marcação, cria atrito e, sobretudo, dá ao time um pivô para associar. Fellipe Bastos foi nessa linha ao dizer que o Júnior Santos não cumpre o mesmo papel, por ser mais atacante de espaço, mais ligado a atacar pelo lado do campo, e menos a segurar a bola, fazer o pivô e juntar linhas.

Agora pense no detalhe tático: contra um time que vai baixar as linhas para sair no contra-ataque, a sua construção precisa ser mais disciplinada. Se o seu atacante principal não fixa, você força o Botafogo a buscar soluções laterais e cruzamentos, ou a acelerar demais o passe. E aceleração demais, em jogo desse tipo, não é “agressividade”, é convite para contra-ataque. Quem já viu uma transição defensiva bem feita sabe: um passo errado vira corrida contra o tempo.

O problema da vigilância e dos espaços às costas da defesa

O segundo ponto do Fellipe Bastos é o mais duro de todos: vigilância defensiva longe. Ele descreve o Botafogo como um time que até tenta ser ofensivo, com laterais altos e postura agressiva, mas sem manter linhas compactas quando perde a bola. E isso, em futebol de hoje, não perdoa.

Quando você sobe sem proteção, o adversário não precisa de muita qualidade técnica para te castigar. Basta organizar a saída e mirar o espaço. É exatamente o que um Caracas tende a fazer: pega a bola, aciona rapidamente e ataca a zona onde a cobertura não chegou. A frase dele sobre o Botafogo “oferecer muito contra-ataque” não é exagero: é diagnóstico.

Some isso a um detalhe recorrente citado pelo comentarista: o Botafogo sofre gol com frequência. Aí o jogo vira uma equação cruel. Se a defesa não chega sólida, você passa a ter que planejar o jogo como se sempre estivesse caçando o placar, o que desgasta, aumenta risco e deixa o time mais reativo do que quer ser.

O que o empate com o Caracas revela sobre o novo Botafogo

O empate em 1 a 1, em casa, não é desastre isolado. Mas é sinal. E sinal é o que a gente registra quando a temporada ainda está montando o esqueleto. A estreia de Franclim Carvalho era o momento de calibrar. E, pelo que Fellipe Bastos apontou, a equipe ainda está aprendendo a mesma coisa em velocidades diferentes: ataque com intenção, mas sem a proteção proporcional quando a bola volta.

O Botafogo até tem um time bom, como o próprio comentarista reconhece. O problema é que “time bom” não vence só com talento individual. Vence com organização. E organização, nesse contexto, significa ajustar a transição defensiva, encurtar distâncias e garantir que as linhas compactas não virem figuração quando a perda acontecer.

Se o Botafogo entra no Campeonato Brasileiro sem essas correções, a tendência é repetir o roteiro: perde a bola em zona perigosa, toma contra-ataque, vê o adversário respirar e ainda fica correndo atrás do próprio jogo. Contra times com mais qualidade, a punição é mais rápida.

O que muda já para o jogo contra o Coritiba

Domingo tem Coritiba no Nilton Santos, e não existe tempo para “testar por testar”. O recado do Caracas precisa virar ajuste de processo. Franclim Carvalho vai ter de escolher melhor quando quer ser agressivo e quando precisa travar a engrenagem para não abrir corredor.

O ponto é simples: se o Botafogo insistir em subir sem cobertura, vai continuar exposto. E se insistir em um desenho ofensivo sem um centroavante de referência ou sem um pivô que organize a posse, vai sofrer para criar com consistência quando o adversário adotar bloco baixo.

O jogo do Coritiba é o primeiro teste de maturidade. Não é só sobre escalação. É sobre leitura de transição defensiva e vigilância defensiva durante todo o tempo, especialmente depois das perdas. Porque, no Brasileiro, quem cobra rápido não perdoa.

O Veredito Jogo Hoje

O que Fellipe Bastos apontou faz sentido tático demais para ser ignorado: a estreia de Franclim Carvalho expôs o Botafogo porque a equipe tentou ser ofensiva sem o lastro defensivo na mesma proporção. Quando você deixa vigilância defensiva longe e não sustenta linhas compactas na transição defensiva, o contra-ataque vira um caminho fácil para o adversário te pintar de instável. Se domingo o Botafogo corrigir isso, a história muda; se não corrigir, o time vai transformar cada perda em ameaça, e aí a conta chega cedo.

Perguntas Frequentes

Por que Fellipe Bastos discordou da escalação de Franclim Carvalho?

Porque ele entendeu que a troca tirou o centroavante de referência que sustentava o ataque (Arthur Cabral) e colocou jogadores com funções mais laterais, menos ligados ao pivô. Para um adversário que tende a jogar com bloco baixo e contra-ataque, isso aumenta a dificuldade de manter o equilíbrio e de proteger o espaço após perdas.

O que o Botafogo perdeu sem Arthur Cabral desde o início?

Ele perdeu um norte de jogo: um pivô mais eficiente para segurar e associar, além da capacidade de fixar marcações e organizar a construção. Com isso, o Botafogo tende a atacar por rotas menos diretas e fica mais exposto quando o adversário ativa a transição defensiva.

Qual é o principal alerta para o jogo contra o Coritiba?

O alerta é para a vigilância defensiva e as linhas compactas no momento de perder a bola. Se o Botafogo repetir a distância entre setores e não ajustar a transição defensiva, vai continuar oferecendo contra-ataque e sofrendo gol com mais facilidade do que deveria.

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