Segundo apurou o Jogo Hoje, a Copa do Mundo de 2026 vai ganhar um rosto novo, desses que mudam a leitura do jogo antes mesmo da bola rolar. Ben Old, lateral-esquerdo e ponta pela esquerda da Nova Zelândia e do Saint-Étienne, é a prova viva de que a rota até o Mundial pode ser torta, mas não é aleatória: começou no golfe e desembocou no futebol como quem escolhe um caminho de elite.
Com apenas 22 anos, Old chega cercado de expectativa e com um detalhe que chama atenção: a Nova Zelândia disputa sua terceira Copa do Mundo e, no histórico, ainda não venceu uma partida sequer em Mundiais. Em um grupo G com Bélgica, Irã e Egito, a missão parece impossível no papel. Mas é exatamente aí que a história dele vira combustível.
Quem é Ben Old e por que sua história foge do comum
Ben Old não parece um caso “normal” de formação europeia. Ele é um lateral-esquerdo que, por estilo e mentalidade, lembra um jogador de transição ofensiva de manual, daqueles que aceleram o time quando o jogo pede curto e direto. Só que a origem do instinto competitivo dele vem de outro esporte, com outro tipo de pressão.
O ponto central é simples: ele trocou uma carreira promissora no golfe pelo futebol e hoje é peça-chave dos All Whites. E isso não é marketing vazio. É trajetória. É escolha. E é, principalmente, um recado para o continente que muitas vezes é tratado como “fora do eixo” do futebol global.
Do taco ao pé: como o golfe moldou sua trajetória
O primeiro presente esportivo dele não foi uma bola. Foi um taco de golfe. E não é só curiosidade de bastidor: aos dois anos, já havia esse universo por perto, porque o ambiente da família era atravessado pelo esporte de precisão. A casa de praia ao lado de um clube de golfe pesou no destino, e Old era mesmo talentoso.
Há uma imagem que, em jogo grande, vale por relatório: aos sete anos ele viajou para os Estados Unidos e disputou torneios em cidades como Las Vegas, Pinehurst e San Diego contra outros talentos mirins. Ali, bem cedo, ele aprendeu o que o futebol nem sempre ensina tão rápido: controlar emoção, ler distância e lidar com cobrança sem entrar em pânico.
Por anos, ele viveu o dilema clássico, mas com uma camada a mais: bater na bola com o taco ou com o pé. Do lado do futebol, ainda existia o peso cultural da Nova Zelândia. O rúgbi é quase religião por lá, mas o futebol foi a paixão número um. E quando ele entrou no centro de formação do Wellington Phoenix, por volta dos 16 anos, a decisão ficou inevitável.
A ascensão no Wellington Phoenix e a chegada ao Saint-Étienne
No Wellington Phoenix, Old subiu degrau por degrau até conquistar espaço de verdade. A partir daí, veio a validação em competição: ele disputou quatro edições da A-League, onde o ritmo é mais intenso do que muita gente imagina quando olha só para o mapa.
O detalhe que ele carrega para o jogo fora da Oceania é estatístico e, ao mesmo tempo, revelador. No último ano antes de fechar com o Saint-Étienne, ele participou de nove gols. Não é só produção solta: é contribuição ligada a efeito colateral de um perfil de ponta, de lateral que chega, dá opção e puxa a transição ofensiva do time.
Ele está no Saint-Étienne desde 2024. E, para quem viveu o golfe como ambiente de controle, a adaptação à França parece menos “salto no escuro” e mais continuidade com outro tipo de precisão: marcação, timing e leitura de corredor.
Ben Old na seleção: da base ao papel de pilar dos All Whites
Na base, Old não chegou como promessa de prateleira. Ele jogou o Mundial sub-17 de 2019 no Brasil, teve participação importante em etapas anteriores e, depois, seguiu acumulando jogos em categorias que exigem maturidade.
Um marco foi o título da Copa das Nações da OFC. Ali, ele foi titular como ponta pela esquerda, entendendo o papel que a Nova Zelândia precisa repetir: ser convincente sem depender apenas de força bruta. Desde então, Old consolidou presença. E a convocação virou rotina.
Na seleção principal, a presença ocorre desde 2022. A titularidade veio com força e ele não saiu mais do time. E mesmo quando o corpo quis interromper o roteiro, ele voltou. Um problema no joelho o impediu de estar nos jogos finais das Eliminatórias para a Copa, mas a recuperação recolocou Old de volta na equipe treinada por Darren Bazeley.
Há um contraste interessante: o futebol neozelandês tem identidade, mas nem sempre é a que o mundo imagina. Old deixa isso claro quando fala em construção com bola e eficiência, tentando derrubar a caricatura de que os All Whites jogam como se fossem rúgbi em campo de grama. Em Copa, essa diferença vira vantagem ou armadilha. E a gente quer ver qual caminho eles escolhem.
O que a Nova Zelândia tenta provar na Copa do Mundo de 2026
A Nova Zelândia vai para a Copa do Mundo de 2026 como azarão assumido, mas com uma fome que dá pra sentir. São três derrotas em 1982 e três empates em 2010, e o dado que pesa: a seleção nunca venceu uma partida em Mundiais. A história cobra. O grupo também cobra.
No grupo G, Bélgica, Irã e Egito são adversários que não perdoam vacilo de posicionamento, principalmente em transições defensivas. Para a Nova Zelândia, o plano passa por uma coisa: jogar com propósito. E Old, como lateral-esquerdo e ponta pela esquerda, tem tudo para ser o braço que ativa o jogo quando o time precisa mudar de marcha.
O desafio é gigante, mas a comparação com a vizinha Austrália em 2022 é inevitável. A sensação que fica é: “cabe a nós mostrar que dá para fazer tão bem quanto”. Só que nós sabemos como isso funciona em torneio curto. Se não vier a primeira vitória, o resto vira conversa de vestiário e estatística fria.
O Veredito Jogo Hoje
Ben Old chega à Copa do Mundo com uma narrativa bonita, sim, mas o que manda é o que ele entrega em campo: lateral-esquerdo com leitura de ritmo, coragem para participar da transição ofensiva e capacidade de crescer sob pressão no palco maior. A Nova Zelândia sempre foi vista como “exótica” no calendário europeu, e talvez seja isso que incomoda. Porque, se a Bélgica, o Irã e o Egito forem atropelados por uma equipe que joga com bola e eficiência, essa “excentricidade” vai virar respeito. E Old tem cara de quem não veio só para participar.
Perguntas Frequentes
Quem é Ben Old e em que posição ele joga?
Ben Old é um jogador da Nova Zelândia, atua como lateral-esquerdo e também pode atuar como ponta pela esquerda, sendo uma peça importante para a transição ofensiva da equipe.
Por que Ben Old quase virou golfista antes de escolher o futebol?
Porque ele cresceu cercado pelo golfe: ganhou um taco de golfe ainda pequeno e chegou a competir em torneios na infância, incluindo viagens aos Estados Unidos. Mesmo assim, o futebol acabou virando a prioridade quando ele entrou no centro de formação do Wellington Phoenix, por volta dos 16 anos.
Qual é o grupo da Nova Zelândia na Copa do Mundo de 2026?
A Nova Zelândia está no grupo G, com Bélgica, Irã e Egito.