Abel cutuca o VAR e expõe o que travou o Palmeiras na estreia

Após o 1 a 1 na Libertadores, Abel ironiza o árbitro de vídeo, cita a final com o Flamengo e aponta o que atrapalhou o Palmeiras na Colômbia.

Segundo apurou o Jogo Hoje, o empate do Palmeiras com o Junior Barranquilla por 1 a 1 na estreia da fase de grupos da Libertadores virou aquele tipo de jogo que deixa gosto amargo e, ao mesmo tempo, lição tática. Abel Ferreira foi direto ao ponto: concordou com o pênalti após revisão no VAR, mas cutucou a arbitragem de vídeo e ainda puxou a comparação com a final de 2025 contra o Flamengo, em Lima.

A fala de Abel Ferreira após o empate na Colômbia

Abel não tratou o 1 a 1 como “só mais um resultado”. Ele leu o jogo como quem enxerga padrão: o Palmeiras tentou propor, mas esbarrou num adversário que montou um muro e, antes de qualquer coisa, decidiu viver do erro do outro. E quando o time não consegue acelerar com qualidade, o relógio vira inimigo. Foi assim que o Junior conseguiu segurar, aceitar o empurrão e punir no detalhe.

O técnico reconheceu o toque de realidade: o Palmeiras teve dificuldades para encaixar a circulação ofensiva contra uma defesa bem desenhada, com linhas que alternavam cobertura e compressão. Não era um “plano simples”. Era preparação para impedir o gatilho da transição ofensiva alviverde e, ao mesmo tempo, manter a equipe pronta para explorar o espaço quando o Palmeiras errasse a construção.

O lance do pênalti e a ironia ao árbitro de vídeo

No lance do gol, o meia Maurício atinge um adversário dentro da área num contato fortuito. Só que o que muda a noite é a sequência: árbitro de vídeo chamou a revisão no VAR, o árbitro voltou ao campo e marcou a penalidade. Abel foi pragmático ao dizer que concordou com a decisão, mas fez questão de deixar no ar o recado de bastidor.

O português puxou o contexto da final de 2025 em Lima e lembrou o debate que ficou no ar: palmeirenses pediram punição em um lance sem bola, envolvendo Pulgar e um choque em Bruno Fuchs, e a análise não teria sido acionada da forma como o Palmeiras esperava. A provocação de Abel, então, não é só sobre aquela jogada: é sobre consistência de critério e confiança no processo.

Foi quando ele soltou a ironia com o “funcionar” do sistema, deixando claro que, para o Palmeiras, o árbitro de vídeo precisa ser ferramenta, não loteria. Realmente houve contato? Sim. Mas e o resto do filme, aquele que decide campeonatos? Abel sabe que a memória tática do torcedor é longa.

A leitura tática: surpresa com a linha de cinco

Agora entra o ponto mais interessante da entrevista: Abel admitiu surpresa com o desenho do Junior. Não foi só “três zagueiros”. Foi a dinâmica do bloco, que variou ao longo do jogo com linha de cinco, depois bloco baixo e, em alguns momentos, até a sensação de três níveis de contenção, como se aparecessem seis e, em certas fases, até sete defensores ocupando o corredor central.

O efeito disso foi cruel para a proposta palmeirense no primeiro tempo. Quando a equipe adversária fecha dessa forma, o Palmeiras perde janela de passe e começa a depender mais de bola longa e de arremates precipitados. Abel explicou que o problema não foi “simplesmente errar”, mas sim forçar o caminho errado: muitos chutes fora da área porque a última linha não dava o tempo necessário para desmontar a cobertura.

Mas a leitura dele também aponta crescimento. A partir dos 30 minutos, o Junior perdeu ritmo e o Palmeiras ganhou espaço. Não é mágica: é cansaço coletivo, é bloco recuado que já não consegue pressionar a saída e é desgaste de quem vive de recompor. A partir daí, o Palmeiras criou mais e colocou o adversário sob pressão.

Gramado, dinâmica do jogo e o crescimento do Palmeiras no segundo tempo

Se o desenho tático foi uma trava, o ambiente ajudou a piorar o encaixe. Abel também criticou o gramado pesado do Estádio Olímpico de Cartagena. E aqui a análise fica ainda mais “pé no chão”: gramado alto e irregular muda o tempo da bola, atrasa o primeiro controle e bagunça o ritmo de quem precisa tocar rápido para achar o corredor. Dá para propor futebol? Dá. Mas do jeito que o Palmeiras quer, com fluidez e repetição, fica mais difícil.

O Junior se beneficiou disso porque, ao sofrer o empurrão, tinha um plano claro: aproveitar o gol, fechar as linhas e proteger o acesso às zonas de finalização. Gramado difícil para quem precisa criar. O Palmeiras, por sua vez, foi ajustando: maior ocupação entre linhas, mais tentativa de chegar com gente na área e mais paciência para puxar o adversário para fora da zona de conforto.

Abel sintetizou o que o torcedor viu: “Criamos muito, só faltou fazer mais um gol”. A frase tem peso, porque revela que o crescimento veio no segundo tempo, mas sem a punção final. E, numa competição dura como a Libertadores, domínio sem gol vira custo. O Junior, com tudo isso, acabou premiado com um ponto.

O jogo ainda contou com um ingrediente adicional: quando o adversário se fecha com tantas linhas, a transição ofensiva do Palmeiras perde “meio segundo” para acontecer. E meio segundo, em Libertadores, é diferença entre finalização e bola roubada, entre controle e chutão. O gramado ajudou a esticar esse intervalo.

O que o resultado representa para a campanha alviverde na Libertadores

O 1 a 1 fora de casa não é desastre, mas também não é conforto. Abel sabe que a campanha começa com sinais. E o sinal aqui foi duplo: primeiro, o Palmeiras encontrou dificuldade para quebrar um adversário que colocou um bloco baixo com variações de linha de cinco; segundo, o time mostrou resposta no segundo tempo, criou chances e colocou o Junior em modo reativo.

Para o futuro, a leitura é clara: o Palmeiras precisa ser mais rápido no processo de desmontar esse tipo de estrutura, principalmente quando o gramado pesado atrapalha o tempo de jogo. Se o time vier a repetir a mesma lentidão inicial, vai sofrer de novo. Agora, se a equipe transformar a melhora do segundo tempo em padrão, a estreia vira a base de uma campanha mais sólida na fase de grupos.

E tem o recado político também. Ao citar a final de 2025 e provocar o ambiente do árbitro de vídeo, Abel reforça que o Palmeiras não vai engolir qualquer critério. Em Libertadores, além do campo, tem o “clima” da arbitragem. Abel, como bom estrategista, também joga esse jogo.

O Veredito Jogo Hoje

O Palmeiras saiu da Colômbia com um ponto e uma pergunta que incomoda: por que o time demorou para achar o jeito de furar o bloco baixo com linha de cinco (e quase sete defensores em certos momentos)? Abel acertou ao reconhecer o pênalti, mas o recado sobre o árbitro de vídeo é maior do que a jogada: é sobre confiança no processo e sobre o Palmeiras não aceitar que decisões mudem o destino do jogo sem critério. Taticamente, o segundo tempo mostrou caminho; no primeiro, faltou velocidade e coragem para desmontar. Na Libertadores, quando você dá tempo pro adversário fechar, paga com o placar.

Perguntas Frequentes

O que Abel Ferreira disse sobre o árbitro de vídeo após o empate do Palmeiras?

Abel concordou com o pênalti após a revisão no VAR no lance do contato, mas aproveitou para cutucar a arbitragem de vídeo, citando a edição de 2025 em Lima contra o Flamengo e comparando a consistência do sistema.

Por que Abel ficou surpreso com a postura tática do Junior Barranquilla?

Porque o Junior entrou com três zagueiros e conseguiu variar a estrutura ao longo da partida, alternando momentos de linha de cinco e um bloco baixo que, em fases, parecia ainda mais numeroso. Isso travou a circulação do Palmeiras e levou a muitos arremates fora da área no primeiro tempo.

O gramado de Cartagena realmente atrapalhou o Palmeiras?

Foi o que Abel apontou: segundo ele, o gramado pesado, ainda que reformado, estava com grama alta e dificultou o jogo para quem precisa propor e criar, afetando o ritmo de controle e construção do Palmeiras.

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