Verstappen disse que as mudanças da FIA não bastaram e apontou o detalhe do regulamento que ainda atrapalha a pilotagem na F1.

Segundo apurou o Jogo Hoje, a Fórmula 1 volta a acender o alerta do jeito que só o paddock sabe: com ajuste fino no papel, mas sensação de volante pesado na prática. E, depois do Red Bull de Miami, o recado veio seco de Max Verstappen: as mudanças recentes da FIA até melhoraram o carro, porém não resolveram o “ponto cego” que ainda obriga os pilotos a administrar a energia durante a volta.

O detalhe é técnico, mas o efeito é bem humano. Quando o piloto precisa “escolher” onde vai render e onde vai poupar, a pista deixa de ser só pista e vira quebra-cabeça de gestão de energia. E Verstappen não está comprando essa lógica.

Verstappen volta a criticar o regulamento após o GP de Miami

No último fim de semana do GP de Miami, a FIA aproveitou a pausa no calendário para mexer na engrenagem que rege a unidade de potência híbrida. A crítica de Verstappen apareceu no pós-prova como quem aponta a falha que dá pra enxergar de longe: “Meu carro está um pouco melhor, mas o que eu disse antes sobre o regulamento continua valendo”. Ou seja, melhora de conforto não significa melhora de corrida.

Mais do que briga de opinião, é leitura tática. Verstappen descreveu o comportamento que incomoda: você precisa ganhar tempo no futuro, reduzindo velocidade em um trecho para liberar desempenho em outro. Isso, convenhamos, é um formato que rouba espontaneidade do pilotar.

O que a FIA mudou na gestão de energia da F1

As alterações implementadas no GP de Miami miraram exatamente a parte que mais gera atrito com a pilotagem: a forma como a equipe e o piloto lidam com recuperação de energia e deploy elétrico ao longo da volta.

O recorte divulgado na prática foi claro: houve redução da necessidade de recuperação de energia e uma menor dependência do componente elétrico da unidade de potência. Em tradução de pista, isso tende a suavizar extremos de uso do sistema híbrido e, principalmente, diminuir situações em que o carro fica “refém” do modo elétrico.

Outro objetivo da FIA era reduzir preocupações de segurança ligadas a curva de alta velocidade e às altas velocidade de aproximação. Quando você controla melhor a energia, você também tenta controlar melhor o ritmo e as referências do piloto.

Por que o piloto ainda vê o carro como "punitivo"

Aí mora o ponto cego. Mesmo com a redução da exigência de recuperação de energia, Verstappen diz que o carro ainda “cobra” do piloto o tempo inteiro. Não é punição no sentido de cartaz, é punição no sentido de física e engenharia: se você entra rápido demais em um setor, paga na saída ou na reta seguinte por causa do balanço do sistema.

Ele descreveu do jeito mais direto possível: quanto mais rápido você faz a entrada de curva, mais lento você precisa ser na reta subsequente. Isso afeta a tomada de decisão e, principalmente, a consistência. E consistência é o que decide qual volta vira ultrapassagem e qual volta vira só número no cronômetro.

Na nossa leitura tática, o problema não é só “ter energia limitada”. O problema é o piloto ter que transformar a volta em estratégia de banco de dados, quando o regulamento técnico deveria deixar o desempenho emergir da condução, não de uma conta de energia a cada referência.

O impacto disso no estilo de pilotagem e nas corridas

Quando o carro fica punitivo, o comportamento muda. Você passa a pilotar com medo do próximo setor. A entrada de curva vira um dilema: ou você respeita o limite ideal para não estragar o restante da volta, ou você assume o risco e tenta recuperar no deploy elétrico quando o timing permitir.

O resultado costuma ser menos variedade de manobras e mais “corrida de gerenciamento”. E, honestamente, quem gosta de Fórmula 1 quer ver briga por espaço, não planilha de energia sendo executada no volante.

Existe ainda um efeito colateral que dá pra sentir na TV e no rádio: o carro fica mais “esticado” em sensações de frenagem e aceleração, porque o piloto tenta alinhar o que o motor híbrido permite com o que a aerodinâmica pede. É um casamento estranho. E, se o casamento é estranho, as ultrapassagens tendem a ficar raras ou previsíveis.

O que esperar da Red Bull no GP do Canadá

A Fórmula 1 volta de 22 a 24 de maio com o GP do Canadá, quinta etapa da temporada 2026. Montreal tem identidade própria: combinações de baixa tração, mudanças de ritmo e um traçado que exige leitura fina de tração e controle de saída.

Verstappen foi cauteloso ao falar de atualizações. E faz sentido. Canadá é “pista de consequência”: qualquer ajuste de mapeamento, qualquer ganho de eficiência no sistema híbrido e qualquer alteração no carro para lidar com a gestão de energia podem mudar o equilíbrio da volta inteira, não só o setor onde você testou.

Se as mudanças de Miami deixaram o carro “menos estressante”, o próximo passo é claro: transformar esse alívio em vantagem competitiva mensurável. A pergunta que fica é: a Red Bull vai conseguir pilotar no limite sem pagar juros na reta seguinte, ou o carro vai continuar exigindo aquele passo atrás para depois devolver no momento certo?

O Veredito Jogo Hoje

O que Verstappen está apontando é mais do que reclamação: é diagnóstico de comportamento. A FIA até reduziu a dependência elétrica e a carga de recuperação de energia, mas o sistema ainda “dita” o timing do piloto. Quando a volta vira um jogo de compensação entre curva e reta, a corrida perde alma e ganha engenharia demais. E, pra nós, esse é o tipo de ajuste que melhora o carro, mas não melhora o espetáculo.

Perguntas Frequentes

O que a FIA mudou no regulamento da Fórmula 1?

Foram aplicados ajustes no fim de semana do GP de Miami para reduzir a necessidade de recuperação de energia e diminuir a dependência do componente elétrico da unidade de potência híbrida, com objetivo de suavizar efeitos mais agressivos e reduzir extremos de velocidade em trechos de curva de alta velocidade.

Por que Verstappen disse que os pilotos ainda são punidos?

Porque, mesmo com a evolução do carro, a gestão de energia ainda impõe trade-offs durante a volta. Segundo Verstappen, para ser mais rápido no conjunto, o piloto ainda precisa ir um pouco mais devagar em alguns trechos para conseguir rendimento depois, e isso mantém o carro com sensação punitiva.

As mudanças podem afetar o GP do Canadá?

Podem, sim. Montreal é uma pista diferente de Miami, então o impacto no equilíbrio do carro, na eficiência do sistema e no timing do deploy elétrico pode ser outro. O que a Red Bull fará com os ajustes e mapeamentos vai determinar se a melhora vira vantagem real entre 22 e 24 de maio.

📺

Onde Assistir Futebol Ao Vivo?

Consulte a grade completa de canais (Premiere, Globo, CazéTV) e saiba onde passará o próximo jogo.

Ver Grade de Canais

Compartilhe com os amigos

Leia Também