Segundo apurou o Jogo Hoje, o calendário do colecionismo de Fórmula 1 ganha um ingrediente que mexe com bolso e memória: a RM Sotheby's vai a Mônaco, no dia 25 de abril, para colocar à disposição o Toleman TG183B, o primeiro carro de Ayrton Senna na categoria, e o Fittipaldi F6/A, além de outras máquinas de enorme apelo comercial.
Para quem olha só a estética, parece espetáculo. Para quem entende de mercado, é matemática: raridade, procedência e narrativa vencedora viram preço no martelo. E, se tem duas marcas como Senna e Fittipaldi na mesma proposta, o investidor sabe que a demanda tende a aparecer antes mesmo de o lote abrir.
Leilão em Mônaco reúne carros históricos da F1
O evento acontece no Grimaldi Forum, em Mônaco, reunindo itens com peso afetivo e patrimonial. Em leilões desse nível, não estamos falando apenas de “carro antigo”: estamos falando de ativos onde a certificação e o histórico de uso contam tanto quanto o motor sob o capô.
O resultado esperado é refletido nas faixas estimadas: no topo do lote, as Ferraris puxam a régua; no meio, o Toleman e o Fittipaldi viram o centro do debate entre fãs e compradores que tratam coleção como estratégia de longo prazo.
Toleman TG183B: o primeiro carro de Senna na categoria
O Toleman TG183B é o tipo de item que acelera o interesse do mercado por um motivo bem direto: é o primeiro carro de Ayrton Senna na F1. Senna estreou na categoria no GP do Brasil de 1984, pilotando justamente essa máquina, e seu melhor resultado naquele ano veio no GP de Mônaco, quando cruzou a linha de chegada em segundo lugar.
Agora entra a parte que eu, como especialista financeiro, não ignoro: quando o carro tem uma história tão “limpa” e tão reconhecível, a precificação tende a subir por causa da liquidez. O mercado sabe que compradores existem, e isso reduz risco percebido.
O TG183B tem estimativa entre 2,8 e 3,8 milhões de euros, algo na faixa de R$ 16,7 milhões a R$ 22,7 milhões. E tem um detalhe que pesa no cálculo: o carro foi pilotado apenas pelo brasileiro. Ou seja, menos incerteza, mais narrativa fechada.
Fittipaldi F6/A: a máquina da equipe brasileira na F1
Se Senna é o nome que o público imediato reconhece em qualquer conversa, Emerson Fittipaldi entrega o outro lado da moeda: consistência e presença ao longo da temporada. O Fittipaldi F6/A, de 1979, foi pilotado em sete etapas daquele ano, e o melhor resultado do conjunto veio com o 7º lugar em Watkins Glen.
A estimativa de valor coloca o F6/A numa faixa que chama atenção pela relação entre importância histórica e potencial de retorno: entre 500 mil e 700 mil euros, equivalente a R$ 3 milhões a R$ 4,1 milhões. Em linguagem de mercado, é o tipo de lote que pode atrair desde entusiastas até compradores que buscam exposição a uma marca brasileira com demanda internacional.
Outros destaques do lote: Ferrari 642 e Ferrari 312 T3
O leilão não para no Toleman e no Fittipaldi. A RM Sotheby's também vai oferecer dois itens que, para colecionador raiz, são “ponto de referência” de F1 em diferentes eras.
A Ferrari 642, da temporada de 1991, é o chassi 125 e teve participação como carro reserva por Alain Prost e Jean Alesi nos GPs do Brasil e de San Marino. Ela ainda carrega um elemento que o mercado costuma premiar: recebeu certificação Ferrari Classiche em 2012. O conjunto tem estimativa entre 3 e 4 milhões de euros, ou R$ 18 milhões a R$ 24 milhões. Outro dado que reforça a tese de valorização é a disponibilidade: trata-se de um dos cinco exemplares existentes.
Já a Ferrari 312 T3, de 1978, aparece com status de item mais antigo e mais caro do lote, com previsão entre 4,5 e 5,5 milhões de euros, ou R$ 27 milhões a R$ 33 milhões. Ela foi pilotada por Carlos Reutemann em quatro etapas da temporada de 1978 e, além disso, teve participação no GP da Argentina de 1979 com Gilles Villeneuve. Em termos de mercado, esse tipo de cruzamento entre pilotos e períodos históricos costuma sustentar licitações mais longas.
Quanto cada carro pode valer e por que são tão raros
Vamos colocar os números na mesa, porque aqui é onde o colecionismo vira investimento com lógica. O Toleman TG183B, estimado entre 2,8 e 3,8 milhões de euros (R$ 16,7 milhões a R$ 22,7 milhões), carrega a combinação que mais mexe com o valuation: primeiro carro de Senna na F1, melhor resultado naquele ano no GP de Mônaco e uso exclusivo pelo piloto.
O Fittipaldi F6/A, por sua vez, fica entre 500 mil e 700 mil euros (R$ 3 milhões a R$ 4,1 milhões). Não é só “mais barato”: é um lote que pode representar entrada em uma narrativa forte da F1 brasileira, com histórico de sete etapas na temporada de 1979 e melhor desempenho em Watkins Glen.
Nas Ferraris, o mercado costuma pagar pela raridade de chassi, pelo pedigree e por validações formais. A Ferrari 642, estimada em 3 a 4 milhões de euros (R$ 18 milhões a R$ 24 milhões), tem certificação Ferrari Classiche em 2012 e é um dos cinco exemplares existentes. A Ferrari 312 T3, estimada entre 4,5 e 5,5 milhões de euros (R$ 27 milhões a R$ 33 milhões), soma idade do modelo e participação de Reutemann e Villeneuve em eventos marcantes.
No fim, a pergunta que fica é inevitável: quem vai querer ficar de fora quando Senna e Fittipaldi viram números em Mônaco? E, mais importante, quem vai pagar o prêmio pela história quando o documento e o chassi confirmam o que o coração já sabe?
Perguntas Frequentes
Quando será o leilão dos carros de Senna e Fittipaldi?
O leilão acontece em 25 de abril, no Grimaldi Forum, em Mônaco.
Quanto vale o Toleman TG183B de Ayrton Senna?
A estimativa para o Toleman TG183B fica entre 2,8 e 3,8 milhões de euros, equivalente a cerca de R$ 16,7 milhões a R$ 22,7 milhões.
Qual é o carro mais caro do leilão em Mônaco?
O mais caro, pela previsão divulgada, é a Ferrari 312 T3, com estimativa entre 4,5 e 5,5 milhões de euros (aproximadamente R$ 27 milhões a R$ 33 milhões).