Segundo apurou o Jogo Hoje na nossa cobertura de Fórmula 1, a Espanha volta a viver aquela sensação gostosa de tempo circular: a agenda do Papa Leão XIV ganha data, cidade e logística, e, de quebra, reaparece um bastidor de arquivo que ninguém esquece quando fala de Fernando Alonso.
Entre 6 e 12 de junho, Leão XIV desembarca em Madri, Barcelona e também nas Ilhas Canárias, com passagens por Gran Canaria e Tenerife. E é justamente nesse encaixe de calendário que a história de 2011, durante a Jornada Mundial da Juventude, volta a ganhar voz nos corredores do esporte e da memória.
A história de 2011: como Alonso entrou na conversa
Em 2011, quando o então Papa Bento XVI visitou a Espanha entre 18 e 21 de agosto, a Jornada Mundial da Juventude era o centro do mundo para muita gente. E, para nós que acompanhamos F1 de perto, era também um daqueles anos em que a temporada parecia respirar em silêncio: a F1 estava no recesso de verão.
Aí entra o detalhe que dá gosto de ouvir em qualquer retrospectiva: Yago de la Cierva, coordenador das viagens papais à Espanha, contou que, na preparação do encontro, chegou a surgir a ideia de colocar o Papamóvel nas mãos de Fernando Alonso. Afinal, por que não misturar o símbolo máximo da Igreja com o tipo de carisma que o espanhol carregava nas pistas?
O 'não' do Vaticano e a escolha do policial nacional
O que vem depois é o tipo de choque leve que o tempo guarda. De acordo com de la Cierva, em 2011 o grupo perguntou diretamente se Alonso poderia dirigir o Papamóvel. Só que a resposta do Vaticano foi curta, seca e definitiva.
“Eles ficaram indignados e nos disseram: de jeito nenhum!”, relembrou o coordenador. E a justificativa, em vez de romance, veio com protocolo: “tem que ser um policial nacional”.
Eu adoro esses momentos em que o bastidor entrega a verdade nua: dá para torcer pela ideia, até achar criativa, mas quando o Vaticano pede procedimento, não tem volta. E no fim, foi um policial nacional quem assumiu o volante.
O contexto da F1 na época e o retorno do assunto agora
Naquele mesmo intervalo, a F1 ainda estava longe de acender o motor do próximo capítulo. Mas a semana seguinte ao fim do recesso trouxe o GP da Bélgica, e Alonso apareceu com força: terminou em quarto lugar, numa temporada em que a Ferrari do espanhol estava em processo, com Vettel vencendo.
Hoje, quando a visita de Leão XIV se aproxima, a coincidência vira combustível de curiosidade. Porque a agenda do Papa cai junto do calendário de Mônaco, de 5 a 7 de junho, e fica ainda mais próxima do GP de Barcelona-Catalunha, de 12 a 14 de junho.
Ou seja: não houve insistência para que Alonso voltasse a ser lembrado na história do Papamóvel. O circuito, o ritmo e as datas mandaram mais alto. E, no fim, é isso que faz o bastidor de 2011 ressurgir com graça: quando a vida parece repetir o roteiro, a gente percebe que algumas cenas só existiram porque o mundo estava em pausa.
Por que essa curiosidade voltou a circular entre fãs de F1
Porque Alonso tem dessas histórias que viram cultura. Não é só sobre resultado, é sobre presença. E quando a imprensa reencontra um episódio em que o Papamóvel quase cruzou a mesma pista do imaginário esportivo, o público responde na hora.
Tem também o efeito nostalgia, aquele que a gente sente quando a memória encontra o presente: a Espanha de hoje com Leão XIV, e a Espanha de ontem com Bento XVI. A diferença é que agora o calendário da F1 está ainda mais apertado, e a chance de repetir a anedota ficou no “quase”.
No nosso peito de historiador das arquibancadas, fica a pergunta que não desce: e se o Vaticano tivesse cedido em 2011? Teria virado manchete clássica do esporte, ou teria durado só uma ideia de bastidor? A resposta, claro, foi o protocolo. Mas a curiosidade, essa sim, voltou a acelerar.
O Veredito Jogo Hoje
O caso do Papamóvel é daqueles bastidores que provam como a vida real é mais saborosa do que qualquer roteiro publicitário. O “não” do Vaticano a Alonso não diminui o espanhol; pelo contrário, reforça o status de figura nacionalmente emblemática que ele carregou lá em 2011. E quando Leão XIV chega à Espanha em junho, a história reaparece não por acaso, mas porque o tempo gosta de fazer reencontros para lembrar quem marcou época.
Perguntas Frequentes
Fernando Alonso realmente foi cogitado para dirigir o Papamóvel?
Sim. Em 2011, durante a Jornada Mundial da Juventude, foi perguntado ao redor da visita de Bento XVI se Fernando Alonso poderia conduzir o Papamóvel, segundo relatos do coordenador das viagens papais à Espanha.
Por que o Vaticano rejeitou a ideia?
Porque a orientação foi de segurança e protocolo: foi exigido que fosse um policial nacional para conduzir o Papamóvel, e não um atleta.
Quando foi a visita em que isso aconteceu?
A história ocorreu em 2011, na visita de Bento XVI à Espanha, que aconteceu entre 18 e 21 de agosto, no contexto da Jornada Mundial da Juventude.