Segundo apurou o Jogo Hoje, a Fórmula 1 ganhou mais uma peça no tabuleiro do próximo ciclo: a situação envolvendo Gianpiero Lambiase virou “caso de comando”, não só de currículo. A Red Bull confirmou a saída do engenheiro no fim de 2027, e a McLaren cravou a chegada com impacto direto em 2028.
O anúncio duplo: Red Bull confirma a saída e McLaren oficializa a chegada
Dois comunicados, duas leituras táticas. A Red Bull mantém o discurso de reorganização interna, enquanto a McLaren trata a contratação como obra de engenharia de equipe: Lambiase, com contrato até o fim de 2027, sai de Milton Keynes e chega a Woking para assumir um papel que mexe na gestão operacional do time.
O timing é o que dá a temperatura certa. A McLaren espera recebê-lo “no mais tardar” em 2028. Então, não é um reforço imediato de performance. É algo mais perigoso: é mudança de hierarquia de equipe antes mesmo de o novo ciclo começar a cobrar resultados.
E, convenhamos, quando um time faz isso, não está comprando apenas experiência. Está comprando poder de decisão no comando de pista.
Quem é Gianpiero Lambiase e por que ele é tão importante na F1
Lambiase está no ecossistema da Red Bull desde 2015. Começou como engenheiro de corrida de Daniil Kvyat e, em 2016, quando Verstappen subiu para a equipe principal, ele virou o braço técnico do holandês. Ou seja: não é chegada “do nada”. É continuidade de um modo de trabalhar, de interpretar dados e de transformar decisão em ritmo de volta.
Essa é a parte que muita gente simplifica demais no paddock. Para nós, o ponto é a consistência na estrutura técnica e na comunicação com o piloto. Lambiase não foi só “o cara do carro”. Ele foi parte do sistema que ajudou a Red Bull a sustentar dominância em fases diferentes, com cenários diferentes e pressão sempre no limite.
Quando a função é de engenheiro de corrida em alto nível, a diferença aparece no detalhe: quem traduz instinto do piloto em ajuste de setup, quem lê o pneu antes do pneu “dizer a verdade”, quem escolhe a janela de risco na hora certa. E isso cria efeitos colaterais na comunicação e no comando de pista.
O que muda na McLaren com a criação do cargo de Diretor de Corrida
A McLaren não está apenas contratando alguém. Está criando uma função e, com ela, redesenhando a hierarquia de equipe. Lambiase vai atuar como Chief Racing Officer, com responsabilidade pela liderança geral do time de pista e reporte direto a Andrea Stella.
Tradução tática? Ele passa a coordenar a divisão de tarefas para aliviar as atribuições de Stella. Isso muda o fluxo: menos gargalo em quem precisa decidir tudo, mais velocidade na tomada de decisão e mais padronização na execução da gestão operacional.
Em outras palavras, a McLaren está tentando blindar o que costuma decidir corrida: a qualidade da resposta entre voltas, a consistência do plano e a forma como o time controla o “ruído” do fim de sessão. Um Diretor de Corrida bem posicionado vira filtro e acelerador do comando de pista.
Por que a notícia mexe com o futuro de Verstappen e da Red Bull
Tem gente que tenta tratar a troca como história emocional. Não é. A saída de Lambiase em 2027 e a chegada em 2028 é uma jogada de bastidor que altera o equilíbrio de forças, mesmo sem mexer agora no calendário do próximo GP.
Para a Red Bull, a questão é clara: se você perde um engenheiro que já era referência desde a fase de Daniil Kvyat e virou o engenheiro de Verstappen em 2016, você precisa recompor a cadeia de decisão. Não é só “substituir um nome”. É manter a mesma filosofia de leitura de corrida, a mesma cadência de ajustes e o mesmo padrão de estrutura técnica aplicada ao piloto.
Para Verstappen, a pergunta é inevitável: quem assume o papel e como a equipe preserva o estilo de comunicação que funciona para ele? Quando a mudança de ciclo chega, a dinâmica do cockpit pode ficar mais sensível do que as pessoas admitem.
E para o mercado, o recado é duro: a McLaren está comprando tempo e direção. Quer chegar em 2028 com a mudança de ciclo já encaixada na estrutura técnica e na gestão operacional, antes de os concorrentes sentirem o impacto.
Linha do tempo: de Kvyat a Verstappen, a trajetória de Lambiase
- 2015: Lambiase chega à Red Bull como engenheiro de corrida de Daniil Kvyat.
- 2016: com a promoção de Verstappen, ele passa a ser o engenheiro de corrida do holandês.
- 2015 até o fim de 2027: sustenta a parceria e ganha destaque no paddock pela capacidade de transformar dados em decisão.
- Fim de 2027: saída confirmada da estrutura de Milton Keynes.
- 2028: McLaren espera recebê-lo “no mais tardar” e o coloca como Chief Racing Officer.
Isso é importante porque mostra padrão. Ele não chega na McLaren “em teoria”. Ele chega com histórico de trabalho em uma equipe que aprendeu a dominar fases diferentes do regulamento, ajustando o carro e ajustando a forma de comandar corrida.
O que esperar de 2028 em diante
Se 2027 é transição, 2028 vira teste de arquitetura. A McLaren quer usar o papel de Chief Racing Officer para reorganizar a liderança de pista e dar mais fluidez ao comando de pista. E quando você mexe na cadeia de comando, você mexe no ritmo: quem decide, quem executa, quem valida e quem corrige.
Vai funcionar na prática? Só o paddock responde, mas nós gostamos de pensar como engenheiro e como comandante ao mesmo tempo. O ganho esperado é reduzir atrito entre estratégia e execução, reforçar a hierarquia de equipe e deixar a estrutura técnica mais alinhada com as necessidades do fim de corrida.
O detalhe que vai pesar: a chegada em 2028 não é só “um futuro”. Ela já altera a percepção do presente, porque o adversário começa a planejar contra uma McLaren com liderança de pista redesenhada. É assim que se muda o jogo antes da largada.
O Veredito Jogo Hoje
Essa contratação é estratégica demais para ser tratada como mera troca de engenheiros. A McLaren não está só reforçando um time de pista; está redesenhando a hierarquia de equipe e tentando cravar um novo padrão de comando de pista com um homem que cresceu dentro da lógica Verstappen. Quando a mudança de ciclo começa a ser montada por cima, no topo da cadeia de decisão, o que aparece no fim é simples: menos improviso, mais controle, e uma concorrência que precisa correr atrás do relógio. Assinamos embaixo: é uma jogada de estrutura técnica, não de sorte.
Assinado: Analista Tático, JogoHoje.esp.br
Perguntas Frequentes
Quem é Gianpiero Lambiase na Fórmula 1?
É um engenheiro de corrida ligado à Red Bull desde 2015. Ele foi engenheiro de Daniil Kvyat e, a partir de 2016, assumiu a função com Max Verstappen, consolidando forte influência na comunicação e na tomada de decisão de pista.
Qual será o cargo de Lambiase na McLaren?
Ele vai atuar como Diretor de Corrida (Chief Racing Officer), liderando a área de pista e reportando diretamente a Andrea Stella, com o objetivo de aliviar atribuições e melhorar a gestão operacional e o comando de pista.
A saída de Lambiase pode influenciar o futuro de Verstappen na Red Bull?
Pode, sim. Não por “troca emocional”, mas porque mexe na cadeia de engenharia que sustenta o piloto. Sem Lambiase, a Red Bull precisa recompor a estrutura técnica e preservar a forma de decisão que alimenta o estilo de Verstappen, justamente num momento de mudança de ciclo.