Se você acha que a Fórmula 1 2026 é só “ajustar e correr”, a Aston Martin está aí para lembrar que tem trabalho de engenharia acontecendo nos detalhes. E, segundo apurou o Jogo Hoje, a leitura de Pedro de la Rosa deixa claro o foco: a equipe quer reduzir desconforto e instabilidade ligados à unidade de potência da Honda, enquanto já usa o tempo para mexer no carro com atualizações de chassi no AMR26.
O tom é técnico, sem teatro. De la Rosa afirma que a evolução do processo de correção segue “na direção certa”, mas também admite a pressa: não dá para esperar o problema “assentar” sozinho se o cronograma agora é curto e o rendimento precisa aparecer cedo.
O que De la Rosa revelou sobre o problema da Honda
A base do diagnóstico é direta: a Aston Martin vem enfrentando dificuldades com a confiabilidade da unidade de potência da Honda, que gera efeitos sentidos no carro e, na prática, atrapalha o trabalho dos pilotos em pista. Não é só desconforto “de cadeira”. Quando a dinâmica do conjunto fica comprometida, o piloto perde referência, a condução muda e o acerto fina de cada volta vira tentativa e erro.
De la Rosa ainda contextualiza o tamanho do estrago com um exemplo que pesa no calendário: Fernando Alonso abandonou no GP da China. Esse tipo de incidente derruba ritmo de desenvolvimento porque rouba dados e reduz a janela de testes reais. E aí entra a segunda metade da história, bem mais esperançosa, mas ainda incompleta.
No GP do Japão, a equipe conseguiu completar a prova após medidas corretivas. Só que o recado do embaixador foi honesto: o problema não estava completamente resolvido. Essa diferença importa para leitura tática. Completar é um passo. Mas a pergunta que interessa é outra: o carro já está estável o suficiente para extrair consistência de voltas, especialmente sob variação de pneus e carga aerodinâmica?
Como a Aston Martin tentou corrigir as vibrações no Japão
A Aston Martin tratou o fim de semana em Suzuka como laboratório. De la Rosa diz que a equipe trabalhou junto com a Honda e testou modificações durante a própria programação do GP, buscando reduzir os impactos sentidos pelos pilotos. Em termos de engenharia, isso costuma significar ajustes para aliviar efeitos transmitidos do conjunto motriz ao chassi, reorganizando o equilíbrio de massa e a resposta estrutural.
E aqui entra uma peça importante da narrativa: De la Rosa destaca que Adrian Newey foi “transparente” ao explicar o problema ainda na fase inicial, inclusive após a Austrália. Quando a comunicação técnica é clara, a equipe para de caçar sintomas e começa a atacar causa. É o tipo de organização que dá chance de recuperar margem.
Na prática, o objetivo é simples de explicar e difícil de executar: diminuir o desconforto e a instabilidade para que Alonso e Lance Stroll voltem a fazer um trabalho “normal” de piloto, sem compensações constantes que corroem a performance.
As mudanças já feitas no chassi: asa dianteira e assoalho
Enquanto a Honda segue no processo de correção da unidade de potência, a Aston Martin não parou de mexer no AMR26. E isso, para nós que lemos corrida como um quebra-cabeça aerodinâmico, é sinal de maturidade de desenvolvimento: se uma frente tarda, a outra precisa entregar base de competitividade.
De la Rosa apontou duas áreas centrais que já receberam trabalho recente:
- Endplate na asa dianteira, com novos elementos para melhorar a eficiência do fluxo na região do nariz e estabilizar o comportamento dianteiro em diferentes níveis de carga.
- Bordas do assoalho, buscando refinar a interação do assoalho com o escoamento para aumentar a sustentação efetiva e a consistência do carro.
Tradução tática: quando você altera endplate e bordas do assoalho, você mexe em como o carro “gruda” no traçado e em como ele reage ao volante. Isso pode ajudar a compensar parte do desconforto indiretamente ao deixar a plataforma mais previsível. Mas não é bala de prata. Se a fonte do problema for o pacote motriz afetando vibração, a aerodinâmica sozinha não resolve a raiz.
Por que a equipe precisa acelerar a evolução antes de Miami
Com a Fórmula 1 em hiato após os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, o retorno acontece de 1º a 3 de maio com o GP de Miami. Esse intervalo é bom para laboratório, mas também vira pressão psicológica e técnica. Porque as primeiras corridas não perdoam: se a base do carro ainda oscila, o prejuízo de classificação e pontos pode virar uma bola de neve difícil de recuperar.
De la Rosa foi cuidadoso ao dizer que o trabalho está “na direção certa”, mas a própria escolha das palavras denuncia a urgência: a equipe quer acelerar. E acelerar, aqui, significa duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, reduzir o efeito do problema na condução. Segundo, transformar as mudanças do chassi em ganhos mensuráveis, sem depender de sorte ou de um fim de semana perfeito.
Em Miami, o carro precisa entregar comportamento estável sob frenagens, mudança de direção e exigência de tração. Se Alonso e Stroll sentirem que a base está melhor organizada, dá para converter isso em leitura de desempenho para o restante do ano. Se não, a Aston Martin vai entrar na maratona de correções correndo atrás do calendário.
O impacto para Alonso e Stroll no início da F1 2026
Para pilotos, vibração e instabilidade são mais do que sensação. Elas afetam ritmo, tempo de reação e até a forma de dosar força em saídas de curva. Quando o carro fica “brigando” com o piloto, o limite aparece cedo, e o desenvolvimento vira mais difícil porque a equipe perde a referência de onde está o problema: é motor? é aerodinâmica? é equilíbrio mecânico? ou é interação entre tudo isso?
O cenário, portanto, é cautelosamente otimista para a Aston Martin. Completar o GP do Japão após medidas corretivas é prova de que o caminho existe. As melhorias no AMR26 na asa dianteira e nas bordas do assoalho reforçam que a equipe não vai esperar parada técnica para evoluir.
Para Aston Martin, o recado é simples: ganhar consistência cedo é o que separa equipes que disputam de verdade das que só “corrigem para o futuro”. Alonso e Stroll vão sentir isso voltando à pista em Miami.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal problema da Aston Martin com a Honda na F1 2026?
De acordo com Pedro de la Rosa, a equipe enfrenta dificuldades ligadas à unidade de potência da Honda, com efeitos que geram instabilidade e desconforto para os pilotos durante as provas.
Que atualizações a equipe já levou ao AMR26?
Aston Martin introduziu mudanças no chassi, incluindo elementos no endplate da asa dianteira e ajustes nas bordas do assoalho.
O que a Aston Martin espera melhorar antes do GP de Miami?
A meta é acelerar o processo de correção em conjunto com a Honda para reduzir os impactos sentidos no carro e, ao mesmo tempo, transformar as melhorias aerodinâmicas do AMR26 em ganhos mais consistentes para a volta às corridas em maio.