Andrea Kimi Antonelli chegou como líder da temporada 2026 com duas vitórias em três corridas e, ainda assim, não comprou a narrativa de que a Mercedes está “perfeita”. Segundo apurou o Jogo Hoje, o diagnóstico do italiano é bem específico: o calcanhar de aquiles das Flechas de Prata está na largada, e a recuperação nas primeiras voltas virou rotina tática.
O detalhe que acende a centelha do bastidor? No Japão, Antonelli admitiu que o pior exemplo não foi do carro. Foi dele. E isso muda como a gente lê o padrão de começo de prova da equipe.
Resumo do que Antonelli disse
O piloto foi direto ao ponto ao avaliar o início da Mercedes em 2026. Ele reconhece que o pacote do carro é forte no ritmo, mas aponta um gargalo recorrente: a disputa de posição logo na largada e nos instantes imediatos após a bandeirada verde.
Ao mesmo tempo, Antonelli fez questão de separar tendência do que aconteceu num evento específico. No Japão, ele afirmou que a responsabilidade foi pessoal e que, dali, a McLaren mostrou um salto mais eficiente no arranque.
A fraqueza da Mercedes: largadas abaixo do ideal
A cena se repete desde o começo do campeonato. Na Austrália e na China, a Ferrari saiu melhor do grid, abriu vantagem cedo e empurrou George Russell e Antonelli para uma corrida de recuperação. Em tese, isso não é “catástrofe” quando o carro tem ritmo, mas é desgaste desnecessário: você troca o controle do tempo de corrida por caça a posição.
Antonelli resumiu a lógica com frieza de quem vive o volante: se o carro é competitivo, então o problema aparece na largada. E quando ele fala que “talvez nas largadas”, ele está, na prática, dizendo que a Mercedes entra no jogo um lance atrasada. Quem gosta de estatística sabe: um atraso de começo custa mais do que parece, principalmente quando a pista não perdoa no primeiro setor.
O que preocupa é o padrão. A Mercedes largou atrás em Austrália, China e Japão. Ou seja, não é só um dia ruim. É tendência de pacote, de procedimento e de leitura de clutch, arranque e tração no primeiro impacto.
O caso do Japão: erro do piloto e não do carro
No Japão, a história poderia ter sido a mesma, mas ganhou um tempero importante. Oscar Piastri, da McLaren, tirou as Mercedes da frente na largada. Só que Antonelli não jogou a culpa no equipamento.
O próprio piloto assumiu que fez errado. A forma como ele descreveu o momento foi dura, do tipo que não cabe em reunião técnica. A mensagem, porém, é clara: se o arranque foi ruim, não foi por falta de potencial do carro.
O ponto tático aqui é ainda mais interessante. Antonelli destacou que Piastri conseguiu executar um início superior mesmo usando a unidade de potência da Mercedes. Em outras palavras: se o motor “permite”, mas o arranque “não vem”, então o diferencial está na execução e no acerto do carro na largada.
Além disso, Lando Norris também deixou as prateadas para trás no salto inicial e chegou a andar em terceiro, atrás de Piastri e Charles Leclerc. Quando dois carros da McLaren estão na sua frente logo na saída, a pergunta não é “por quê aconteceu?”, e sim “o que eles fizeram que a gente não fez?”.
Comparação com McLaren e o que isso revela
Antonelli admitiu que George e ele “estão sofrendo” um pouco mais do que esperavam no início da temporada. Isso é leitura de performance, não desculpa. E quando ele emenda que a McLaren fez uma largada muito boa, ele está apontando uma verdade incômoda: a McLaren está mais eficiente no salto inicial.
Agora, vem a parte que a gente não pode ignorar. Ele sugere que exista algo relacionado ao piloto, e aí entra o debate que todo mundo evita: traçar exatamente o ponto de tração, administrar o wheelspin, sincronizar reação e ganho de velocidade sem “matar” a largada. É uma dança fina. Um passo fora do ritmo e a posição desaparece.
No grid, a Mercedes até mostrou competitividade em ritmo de corrida. Mas se a McLaren está melhor na largada, a Mercedes vira a equipe que corre atrás antes mesmo da corrida começar de verdade. Em 2026, isso pesa no campeonato.
O que a Mercedes precisa corrigir antes de Miami
O calendário dá um respiro curto. Após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, a Fórmula 1 retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami. A janela é pequena, então a Mercedes precisa ser cirúrgica.
- Definir um plano para reduzir perdas no primeiro impacto da largada, com foco em tração e sincronização de arranque
- Separar o que é padrão do carro do que é execução do piloto, porque o Japão mostrou que erro individual muda a leitura do problema
- Trabalhar a estratégia de primeiros metros para minimizar a necessidade de recuperação cedo, principalmente contra a McLaren
- Revisar o “como” a equipe prepara a largada, já que a corrida mostra ritmo, mas o grid está levando vantagem
Em termos táticos, é o tipo de ajuste que decide domingo. Porque, se você perde posições nas primeiras voltas, você passa a correr “em função” dos outros. E aí, sim, a briga fica mais difícil.
Perguntas Frequentes
Qual é a principal fraqueza da Mercedes na F1 2026?
As largadas. Antonelli apontou que a Mercedes perde posições no arranque e precisa recuperar cedo nas primeiras voltas.
Antonelli culpou o carro ou a própria largada no Japão?
Ele assumiu a responsabilidade pela largada no Japão, dizendo que foi completamente culpa dele, e não do carro.
Quando a Fórmula 1 volta após a pausa?
A F1 retorna de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.