Segundo apurou o Jogo Hoje, Fernando Alonso tratou o tema com a frieza de quem está cansado de diagnóstico errado: depois do GP de Miami, realizado em 3 de maio, a Aston Martin tirou o foco da unidade de potência e passou a encarar o câmbio do AMR26 como o problema mais urgente. Tenso? Sim. Pragmático? Ainda mais. E já com o olhar no GP do Canadá, de 22 a 24 de maio, a quinta etapa da temporada 2026.
Alonso largou em 17º e terminou em 15º, enquanto Lance Stroll cruzou a linha em 17º. No meio disso, o bicampeão escolheu uma estratégia que entregou pistas: foi um dos únicos — ao lado de Stroll e Valtteri Bottas — a usar pneus macios em algum momento. Ou seja, não faltou tentativa. O problema é que, em Miami, o carro não parecia “obedecer” no ritmo certo, principalmente quando o trabalho exigia precisão nas mudanças.
O que Alonso revelou depois de Miami
O recado de Alonso não foi só de bastidor. Foi leitura tática, com diagnóstico mecânico. Ele admite que as vibrações ligadas à unidade de potência deixaram de ser o foco dominante e que, no fim de semana, o que pesou mais foi o comportamento do câmbio sob carga e em transições de marcha.
Nas palavras do espanhol, “foi mais o câmbio durante todo o fim de semana do que o motor”. A chave está no detalhe: ele descreveu algo “muito estranho nas reduções de marcha e nas trocas para cima”, como se o acerto de troca estivesse fora do ponto para a forma como o piloto precisa de tração e de estabilidade de frente ao entrar e sair das zonas de freada.
Por que o motor saiu da lista de urgências
Até as primeiras corridas da temporada, a Aston Martin vinha tratando o motor como o principal entrave. Só que Miami virou uma espécie de virada de chave no raciocínio: quando a equipe percebe que a performance não está travada apenas por potência, mas pelo “timing” de transmissão e resposta ao pedal, a conversa muda. E muda rápido.
Alonso foi direto ao ponto: ele não cravou uma causa única, mas colocou a prioridade onde ela dói no volante. Se as trocas não ficam sob controle, a dirigibilidade vira refém. E aí, mesmo que a potência esteja ali, o piloto não consegue extrair consistência. É frustração técnica com endereço certo.
O que há de errado com o câmbio do AMR26
Vamos ser honestos: câmbio não é só “trocar marcha”. Câmbio é sincronizar energia com estabilidade. E, quando Alonso aponta “reduções de marcha” e “trocas para cima” fora do padrão, a implicação é clara para Montreal.
- Coerência nas reduções de marcha: em especial na fase de desaceleração, quando a frente precisa manter confiança e o carro não pode dar trancos que roubem o giro e desalinhem a entrada.
- Qualidade das trocas para cima: sair da curva com o carro “na medida” importa tanto quanto frear bem. Troca ruim aqui vira perda de tração e saída lenta.
- Sincronia com frenagens: o problema descrito por Alonso soa como um pacote de comportamento sob carga, possivelmente com resposta eletrônica e gestão de acoplamento, mas traduzido para o piloto como perda de controle.
Em termos táticos, é como se o AMR26 estivesse pedindo uma condução mais “correta” do que a pista permite. E numa F1 em que a margem é pequena, isso cobra preço na volta.
Por que Montreal pode expor ainda mais o problema
O Circuito Gilles Villeneuve não perdoa improviso. A pista é um teste de resistência de freada, de repetição de manobra e de capacidade do carro de suportar freada forte sem desorganizar o trem de força.
Alonso conectou o ponto: “com todas as freadas fortes no Canadá, precisamos melhorar o comportamento do câmbio no momento”. Traduzindo: se Miami já mostrou estranheza nas transições, Montreal tem cara de palco para ampliar isso. Mais desacelerações, mais momentos de troca sob estresse, mais chance de o piloto sentir o carro “fora do tempo”.
O que a Aston Martin ainda pode corrigir antes do Canadá
Alonso não vende milagre. Ele crava que a equipe deve dar um passo em dirigibilidade, mas não promete salto de desempenho já na sequência. E, sinceramente, isso faz sentido dentro de um calendário onde a pausa de verão funciona como linha de montagem para mudanças mais profundas.
O plano, pelo tom do #14, é ajustar o que pode ser ajustado enquanto ainda dá tempo de transformar feedback em comportamento. Em outras palavras: atacar o mapa de troca, a lógica de controle e a forma como o câmbio responde ao piloto nas condições mais críticas. Porque, se for para chegar em uma pista de freada forte e esperar “resolver com o talento”, aí é aposta. E time grande não vive de aposta.
E tem outro ponto que pesa no vestiário: Alonso também pediu para a imprensa não repetir perguntas e não esperar atualizações que não existem. Ele quer proteger o foco interno e administrar o nível de frustração. Isso, no alto nível, é tão importante quanto mexer em peça.
O Veredito Jogo Hoje
Alonso mudou o diagnóstico e isso é o tipo de sinal que a gente respeita: quando o piloto admite que a unidade de potência saiu do centro da dor e que o câmbio virou o gargalo, a Aston Martin está admitindo que precisa acertar o “como” antes do “quanto”. Canadá vai cobrar essa coerência no volante, e se o AMR26 continuar estranho nas reduções de marcha e nas trocas para cima, Montreal pode virar mais uma noite em que a equipe trabalha muito e extrai pouco. A cobrança agora é técnica, não emocional: ou a dirigibilidade melhora, ou a temporada continua escapando no detalhe.
Perguntas Frequentes
Qual é o principal problema da Aston Martin segundo Alonso?
Alonso indica que o maior entrave deixou de ser a unidade de potência e virou o câmbio do AMR26, especialmente pelo comportamento nas reduções de marcha e nas trocas para cima, que ficaram “estranhas” em Miami.
Por que o GP do Canadá preocupa a equipe?
Porque o Circuito Gilles Villeneuve exige muitas freada forte e transições em alta carga. Se o câmbio já não estava sob controle em Miami, Montreal tende a amplificar o problema na dirigibilidade.
A Aston Martin ainda pode melhorar antes da pausa de verão?
Sim, mas com expectativa realista: Alonso fala em avançar na dirigibilidade e no comportamento do câmbio, sem prometer um salto de desempenho. Melhorias maiores, segundo ele, devem ficar para depois da pausa de verão, em agosto.