Segundo apurou o Jogo Hoje, a Red Bull vai além do óbvio e mexe no coração da sua estrutura técnica: promove Ben Waterhouse e chama Andrea Landi para reorganizar a engenharia de desempenho com foco em performance do carro. A mensagem é clara e meio desconfortável para os rivais: quando o tabuleiro fecha, a equipe quer estar na frente também no desenvolvimento do monoposto, não só no fim de semana de corrida.
O que a Red Bull anunciou
Na sexta-feira (17), a Red Bull confirmou que Ben Waterhouse foi promovido para um cargo de maior responsabilidade dentro da estrutura técnica da Fórmula 1. A função é de engenheiro-chefe de desempenho e projeto, com o papel de fazer a ponte entre departamentos que, até aqui, costumam falar línguas diferentes: o projeto aerodinâmico e a engenharia de desempenho. Waterhouse passa a se reportar diretamente ao diretor técnico Pierre Waché, fortalecendo a integração interdepartamental que a equipe afirma buscar.
O plano vem com troca imediata de cadeira: a partir de 1º de julho, Andrea Landi assume a chefia de desempenho na equipe taurina, substituindo Waterhouse no respectivo posto em Faenza. Ou seja, a Red Bull não apenas movimenta gente; ela redesenha um fluxo de trabalho.
Por que Waterhouse ganhou um cargo maior
A promoção de Waterhouse não é prêmio de currículo, é ajuste de arquitetura. A Red Bull descreve a nova função como um mecanismo para fortalecer a integração entre as áreas e acelerar o desenvolvimento de soluções competitivas e de alto desempenho. Na prática, isso mexe na forma como decisões de performance do carro viram mudanças no projeto aerodinâmico e vice-versa.
Quando você coloca alguém com histórico profundo na engenharia de desempenho para operar no nível de integração entre projeto e desempenho, o recado tático é: menos ruído entre departamentos, mais velocidade no ciclo de aprendizado. E em F1, onde cada atualização custa caro e tempo é recurso, essa “ponte” vira arma.
Quem é Andrea Landi e o que ele fazia na Racing Bulls
Andrea Landi chega à Red Bull Racing vinda da Racing Bulls, onde atuava como vice-diretor técnico. Em Faenza, ele fazia parte do grupo de direção técnica adjunta sob Tim Goss e Dan Fallows, que veio da Aston Martin. O desenho de responsabilidades é bem típico de estrutura técnica em camadas: Landi respondia pelo projeto dos carros, enquanto Guillaume Cattelani liderava o departamento de desempenho.
É justamente esse encaixe que chama atenção. Landi não é um técnico “de uma coisa só”; ele já operava na interseção entre o que o carro precisa ser e como ele vai performar. Num ambiente onde a Red Bull quer mais integração interdepartamental, trazer alguém que já viveu essa dinâmica reduz atrito na transição.
O que essa mudança diz sobre a estratégia técnica da equipe
Se a Red Bull cria um cargo que junta desempenho e projeto, ela está dizendo que a estrutura técnica deixou de ser um organograma e virou um sistema. A palavra que importa aqui é integração interdepartamental, porque é ela que encurta o caminho entre hipótese, validação e implementação no desenvolvimento do monoposto.
Na ponta do lápis, esse tipo de reorganização costuma impactar três coisas: como o pacote de performance do carro é priorizado, como os dados de simulação e pista viram decisões de projeto aerodinâmico, e como o time define o que é “ganho real” versus melhoria cosmética. E, sim, isso passa por como a equipe gerencia o diretor técnico e os elos abaixo dele.
É uma estratégia que dá mais controle sobre o ciclo de engenharia de desempenho. Em vez de “cada um no seu quadrado”, a Red Bull tenta transformar o projeto aerodinâmico em algo vivo, conversando com a performance do carro em tempo quase real.
O efeito da reorganização em meio às saídas para a McLaren
Agora entra o pano de fundo que muda o gosto do noticiário. A Red Bull vinha aparecendo mais por movimentações externas do que por contratações, e isso cria um alerta inevitável sobre continuidade de know-how. Courtenay já foi para a McLaren como diretor esportivo, e Gianpiero Lambiase, engenheiro de corrida ligado a Max Verstappen, segue para a McLaren a partir de 2028. Somando a isso o histórico recente de reordenação interna, a leitura do tabuleiro técnico fica mais pesada.
Quando rivais conseguem “levar” peças experientes, a resposta de uma equipe campeã não pode ser apenas recompor. Tem que ser reorganizar para que a performance do carro não dependa de um punhado de especialistas. Ao promover Waterhouse e trazer Landi, a Red Bull tenta blindar o fluxo técnico: manter a engenharia de desempenho conectada ao projeto, mesmo com as mudanças no ecossistema ao redor.
O sinal para o paddock é: se a McLaren está montando uma estrutura para capturar ganhos, a Red Bull está fechando o próprio sistema para não perder velocidade no desenvolvimento do monoposto. E se isso funcionar, a diferença vai aparecer na evolução do carro, não só no discurso.
O Veredito Jogo Hoje
Para nós, isso é mais do que troca de nomes: é ajuste de comando na estrutura técnica para reduzir atrasos entre engenharia de desempenho e projeto aerodinâmico, com foco direto em desenvolvimento do monoposto. A Red Bull está tratando a performance do carro como consequência de um sistema integrado, não como resultado de ajustes pontuais no fim do ciclo. Num cenário em que a concorrência rouba talentos e muda a correlação de forças, a equipe aposta naquilo que dá controle: integração interdepartamental, direção técnica mais conectada e um diretor técnico que consegue cobrar resultado por pacote, não por setor. É tabuleiro, não fofoca.
Perguntas Frequentes
Quem é Andrea Landi e qual será sua função na Red Bull?
Andrea Landi é vice-diretor técnico da Racing Bulls e, a partir de 1º de julho, assume a chefia de desempenho na Red Bull. Ele chega com experiência ligada ao projeto dos carros, o que deve acelerar a ligação entre estrutura técnica e engenharia de desempenho dentro do desenvolvimento do monoposto.
O que muda com a promoção de Ben Waterhouse?
Ben Waterhouse passa a ser engenheiro-chefe de desempenho e projeto, atuando como ponte entre departamentos. A mudança reforça a integração interdepartamental e busca acelerar soluções competitivas ao conectar decisões de performance do carro ao projeto aerodinâmico, com reporte ao diretor técnico Pierre Waché.
Por que a Red Bull está reorganizando sua estrutura técnica agora?
O timing conversa com um momento de reestruturação técnica e com saídas recentes relevantes no ecossistema da F1. Ao ajustar a estrutura técnica e posicionar líderes para acelerar ciclos entre projeto e desempenho, a Red Bull tenta manter consistência no desenvolvimento do monoposto mesmo diante de mudanças no mercado de talentos.